Arquivo do mês: fevereiro 2011

Morar na universidade: solução ou problema?

Olá. Este post é sugestão  direta do meu amigo @casevictor.

Todos os dias, gasto cerca de 1 hora para ir à UFPE e 1h 30min para voltar (Vou com meu pai – ele ensina lá – e geralmente volto de ônibus). São no mínimo 2h 30min de tempo inútil, jogado fora, sem contar o incômodo de acordar supercedo e chegar tarde em casa, tornando a noite também pouco produtiva, e arejando o ambiente para um intermitente mau humor.

Pensando nisso, Victor Casé sugeriu: por que não podemos morar na universidade, como nos Estados Unidos?

Que ideia interessante! Morando na universidade, estaríamos sempre rodeados pelos nossos colegas; seria muito mais fácil organizar uma reunião – de qualquer teor; o meio ambiente seria certamente muito mais agradável e relaxante do que o meio urbano. Creio também que esse tempo em que o universitário estaria sozinho seria de inestimável importância para o crescimento e amadurecimento interno dele. Poderia pensar, com muito menos pressões familiares, sobre si mesmo, sobre que caminho quer para sua vida.

Entretanto, há alguns pontos negativos também. Tudo gira em torno das limitações físicas das universidades brasileiras para abrigar toda a população universitária. A UFPE, por exemplo, tem mais de 30 mil estudantes,quase 10% da população da cidade de Olinda; mas a área da UFPE é menor do que 1% da área daquela cidade. Como abrigar tanta gente? Só para se ter uma ideia, a universidade de Harvard tem 29(VINTE E NOVE!) prédios de residência estudantil, enquanto a UFPE só tem 1.

Uma residência estudantil de Harvard.

Além disso, no Brasil, a tendência de superlotação universitária seria só piorar. É reconhecido nacionalmente (e equivocadamente) que ‘quem não vai pra faculdade é vagabundo‘; talvez o objetivo mais unânime do jovem brasileiro seja o de entrar na universidade. Isso inflacionaria ainda mais o já escasso espaço físico das nossas universidades.

Também pesa bastante a distância da família. Morar sozinho, apesar da aparente liberdade, é um dos maiores desafios para os jovens. Morando com a família, podemos usufruir muitas coisas que ‘já estão prontas’, enquanto que morando sozinho, nós mesmo temos que fazer essas coisas, tomando-nos um pouco da liberdade.

Enfim, acho que a morada na universidade seja impossível retroativamente, ou seja, nossas universidades atuais não comportariam de jeito nenhum sua população: só nos resta alimentar esse sonho com futuras construções bem planejadas para esse fim.

Pergunto: será que as universidades poderiam exigir uma mensalidade para fornecer o conforto de sua morada? Vocês pagariam? Quais seriam outros pontos positivos e negativos?

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Procura-se uma educação empreendedora

Olá. Na metade do ano de 2009, entrei despretensiosamente na AIESEC de Recife, organização não-governamental internacional cuja missão, dentre outras, é a de formar os futuros líderes. Mas como se forma um líder?, é só estudar toda aquela teoria toda arrumadinha sobre ‘o que é liderança‘?

O método da AIESEC de fomentar a liderança em seus membros é bem simples: são-nos dadas oportunidades de liderança, de liderar um grupo com um certo objetivo, e aí tentamos aplicar a teoria à prática. Tive a oportunidade de exercer um cargo de liderança, que, apesar de não ter sido nem um pouco parecido com o que havia planejado, foi uma experiência absurdamente enriquecedora pra mim em todos os aspectos (menos financeiro, porque o trabalho é voluntário).

Não só durante o cargo de liderança, mas enquanto estive imerso na atmosfera da AIESEC, senti-me um empreendedor, alguém que traça objetivos e vai em busca deles, alguém pró-ativo. Percebo que falta esse tipo de educação empreendedora no Brasil. Como diz @manualdoheroi, a faculdade nos ensina a ser empregados. É claro que há muita gente que não ambiciona cargos de lideranças, mas é importantíssimo que esse tipo de ambição seja incentivado.

Mas como poderíamos incentivar a educação empreendedora?

Quem você quer ser?

Estava discutindo com Henrique Reis sobre algum aspecto da educação, e ele surgiu com a seguinte ideia: “As escolas e as universidades poderiam ter cursos não necessariamente acadêmicos, tipo culinária, línguas, literatura não só para os estudantes, como para toda a comunidade”. Para complementar essa ideia, pensei que os próprios alunos poderiam organizar tudo isso. Haveria um comitê de organização de uns 5 ou 6 (talvez mais) alunos, dos quais um seria o presidente, e um tutor da escola acompanharia o grupo. Então, esse comitê pensaria em tudo: local, horário, material humano, recursos etc. Acredito que seria uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento pessoal e profissional dos alunos.

Pense bem. Isso não custaria quase nada. Só depende da força de vontade, do desejo de querer uma educação que abra as portas pros estudantes. E veja como isso pode ter desdobramentos incríveis:

No Japão, uma empresa de produção de aço, Nippon Steel, sofria com a falta de mão de obra qualificada para seus diversos setores: desde marketing até técnico em metalurgia. O CEO da empresa, num ato incrivelmente empreendedor e visionário, começou a fazer parcerias com as universidades de Tóquio, fornecendo bolsas para iniciação científica em diversos cursos que não tinham necessariamente algo a ver com o ramo da empresa. Perguntado sobre essa possível ‘falta de foco’ na distribuição de bolsas, o CEO respondeu: “Estamos somente interessados na experiência que uma iniciação propicia ao estudante: formulação do problema, investigação, solução. O tema em si não interessa: o que importa é o processo, este é insubstituível“.

O que eu quero dizer é que os resultados de uma ação empreendedora reverbera em todo o ambiente à sua volta. O CEO da Nippon Steel mostrou-se diferenciado, sensível, e isso refletiu na experiência única que milhares de universitários tiveram com a iniciação científica patrocinada pela empresa. Ou seja, um simples empreendimento mudou a vida de milhares de pessoas e famílias.

Nesse ritmo de empreendedorismo, temos uma grande oportunidade para quem deseja conhecer mais sobre isso e conhecer muita gente envolvida nesse ramo: o CPEJE. Visite o site e conheça. Vale muito a pena.

E vocês? Como incentivar a liderança, o empreendedorismo nos jovens? Vocês acham mesmo que isso é importante?

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Por que tanta gente desiste da universidade?

Olá. Este post é resultado da sugestão de @Bia_Souz.

Na UFPE, todas as engenharias convivem juntas no primeiro ano do curso, que é o período em que aprendemos disciplinas básicas, comuns a todas as engenharias. Durante esse ano e o ano seguinte, percebi que muita gente – muita mesmo – começou a desistir da universidade ou se desmotivou a tal ponto que reprovação era algo comum e esperado. Esse comportamento é ainda mais visível no ciclo profissional, especialmente em meu curso (eng. eletrônica).

Você acha que se conhece? (crédito: http://migre.me/3RGl8)

Por que isso acontece? Pensei em algumas coisas:

  • Os vestibulandos são obrigados a escolher sua carreira muito cedo, com pouca informação. São poucos os colégios que dão oportunidade para conhecer bem as profissões do mercado. Pior ainda é a situação dos estudantes! Imagine, com 16 ou 17 anos tomar uma decisão que vai ser o norte de toda a sua vida. Nessa idade eu não sabia nem escolher roupa direito (ok, eu ainda não sei, mas costumo dizer que tenho ‘estilo próprio’). São poucos  os alunos que têm autoconhecimento e maturidade suficientes para descobrir o que quer trilhar para o resto de sua vida. Uma solução para isso: ao entrar na universidade, haveria um semestre ou um ano durante o qual o estudante poderia escolher entre as disciplinas básicas de todas as áreas do conhecimento (humanas, exatas e saúde). Assim ele teria uma ótima noção do que ele gostaria de fazer.
  • O ensino pré-universidade é voltado somente ao vestibular. A base dos estudantes geralmente é muito fraca. Pude perceber isso de forma muito clara especialmente no 1º período do curso. Com tanta coisa – inútil – pra estudar para entrar na universidade (vide este post), a forma que os alunos têm para passar no vestibular é decorando tudo, utilizando truques mnemônicos para lembrar de tudo na hora da prova, sendo que a base mesmo não existe. Lembro-me bem do meu vestibular. Pude contar nos dedos a quantidade de questões que me fizeram pensar além das fórmulas ou das palavras decoradas. Solução: mudar o vestibular, como relatei naquele post. Os alunos têm que chegar à universidade com experiência no pensar, no questionar, no refletir, porque é isso que eles vão ter que fazer no futuro.
  • Claro, novamente, as aulas. Especialmente nos primeiros períodos, as aulas têm que ser diferenciadas. Meu pai há algum tempo encontrou seu orientador de mestrado, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia de Lula, Sérgio Rezende, que também dá aula na UFPE. Meu pai, despretensiosamente, perguntou-lhe: “E aí Sérgio, tá ensinando que disciplina?”, a que Sérgio respondeu: “Física 1”. Meu pai, atônito: “Física 1? Não podia dar uma cadeira mais importante não?”. Sérgio: “Eu acho que as disciplinas mais importantes são as do primeiro período; é um perigo deixar professores inexperientes ministrá-las“. Pois é, tem que ser assim mesmo. Eu via no meu primeiro e segundo períodos professores que sequer preparavam aula; faziam tudo na hora, sem nenhum preparo.

Enfim, esses foram os problemas e soluções que achei para pelo menos melhorar um pouco nossa universidade. O que vocês acham? Com certeza há muito mais problemas que explorarei noutros posts. Quais os problemas e possíveis soluções para diminuir a evasão na universidade?

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Qual a função do novo professor?

Olá.

Quando cursava o 3º ano do ensino médio, tinha um professor de química orgânica que era tido como o terror, o senhor absoluto da razão, o intimidador (quem estudou comigo certamente não o achava muito simpático). Certa vez, numa aula, lá estava ele falando sobre como aplicar o conhecimento da química orgânica no dia-a-dia: “Sabe o teste do bafômetro? Vocês podem utilizar esse composto pra reagir com o álcool e enganar o guarda”, e a sala toda começou a rir. Eu nunca fui disso, sempre fui um pouco – bastante – chato com essas coisas. Então, levantei a voz: “Professor, você tem noção do que está falando?”. E a sala toda calou-se; de repente fui o centro das atenções. O professor me olhou mais intimidador do que nunca, mas percebi certo medo nos seus olhos. Ele nunca havia sofrido uma represália antes.

“Talvez o senhor não saiba, mas os alunos vêem o professor, de uma forma ou de outra, como exemplo pra vida, ainda mais nesse mundo onde a família não tem mais tanta influência na nossa vida quanto antes”. Senti um alívio por ter finalmente falado isso na frente dele, na frente de toda a sala.

O professor desconversou: falou que tinha vivido na ditadura, na repressão etc etc, não falou nada com nada. No fim, depois de a turma ter tirado onda falando que ‘eu tinha posto o professor de castigo’, ele, o professor, chegou pra mim, e falou: “Você tem meu respeito”.

Até a metade do século passado, os valores sociais não permitiam – ou o capitalismo ainda não exigia – mulheres que saíssem de casa para trabalhar. Inevitavelmente, com isso, a família era algo muito sólido; a figura materna, e também a paterna, era muito forte.

Entretanto, com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, a família começou a se desestruturar, obscurecendo as figuras paternas. Os filhos e os pais começaram a passar cada vez menos tempo em casa; assim, o arcabouço de influências dos filhos não é mais prioritário dos pais; eles procuram essas influências noutros lugares.

É inerente ao ser humano procurar referências em tudo na sua vida; antigamente, muitas vezes essa referência eram os pais; mas hoje, não. Estamos num vazio da ética, do companheirismo, da significância, do autoconhecimento. Quem tem que preencher esse vazio de influências é o professor, seja de colégio, de judô, esgrima, lacrosse ou de japonês, porque é o professor que passa mais tempo com as crianças/jovens; é nele que o estudante presta atenção; o professor tem que ser pai. É uma responsabilidade enorme, mas são poucos os professores que sabem dela.

O Brasil evolui economicamente mas o seu povo não evolui. A evolução de um povo se dá com a evolução de seus valores, de suas preocupações. Infelizmente, estamos longe disso ainda.

O professor é a solução. Mas ele tem que saber o poder que tem para mudar a sociedade.

Para vocês, qual deve ser a função do professor?

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Como motivar os estudantes?

Olá. Para o post de hoje, recebi sugestões de meus amigos @filiperocha91 e Henrique Reis. Ainda deverei desenvolver essas e outras sugestões que recebi em posts seguintes.

No quarto período do meu curso (estou indo ao quinto agora), tive aula de circuitos elétricos com o coordenador do curso. Suas aulas eram chatíssimas, ótimo sonífero. Mas um dia, ele começou a falar sobre aplicações práticas do que a gente estava aprendendo. Estávamos todos bem entretidos com a aula porque aqueles seriam os cálculos reais que faríamos quando estivéssemos trabalhando. Mas aí, no melhor da conversa, o professor dispara: “Já conversamos muita besteira hoje, vamos voltar pra aula”. E eu voltei a dormir.

Ok, esse quase me enganou. (crédito: http://migre.me/3Oyam)

Como falei em algum post anterior, a escola/universidade e as aulas têm que ter um atrativo a mais para convencer o estudante a frequentar esse ambiente. Que atrativos seriam esses?

Música. As escolas poderiam fazer acordos com as escolas de música do município. Poderiam lhe ser cedidas algumas salas da própria escola para incentivar os alunos a praticarem música num horário conveniente (depois da aula, por exemplo). Isso incentivaria a permanência dos alunos na escola; talvez seria interessante um abatimento na mensalidade da escola de música para alunos que tirassem boas notas.

Eventos de convivência. Escolas e universidades não são mais ambientes somente de aprendizado; são lugares de convivência, amizades. Pensando nisso, meu amigo Henrique Reis sugeriu que as escolas/universidades organizassem uma semana de jogos olímpicos internos, que certamente reteriam os estudantes, além de propiciar o bem-estar coletivo. Com esse mesmo objetivo, Henrique também sugeriu que as escolas tenham um espaço para hortas, tendo cada aluno sua própria mudinha. Se eu tivesse uma mudinha no meu colégio, eu gostaria de ir pra lá todos os dias pra cuidar dela direitinho 🙂

Aulas. Claro, precisamos de aulas interessantes. Para isso, o professor tem que perder a timidez e o medo do ridículo. Tem que ser engraçado, contar piada quando perceber que a sala tá dispersa, fazer alguma coisa diferente. Por exemplo, caso haja datashow disponível, o professor poderia passar algum desses vídeos hilários que a gente vê no youtube, só pra rir à toa mesmo, pra mostrar que o professor é um cara normal (eu mostraria o vídeo de homenagem a Paul McCartney!). Caso não haja datashow, pode investir pesado em curiosidades sobre o assunto da aula, ou pode falar de histórias engraçadas de sua vida. Tudo isso vai deixar a aula mais animada, e os alunos, mais motivados.

Surpresas. Imagine que surpresa: você chega um dia ao seu colégio, tá lá vendo a aula, e, de repente, a diretora chega convocando todos os alunos para o pátio para um evento surpresa, ex.: relembrar a infância! Haveria algodão doce, pula-pula e mais outras coisas que usávamos quando crianças. A mesma coisa pode ser feita na universidade: ex.: no pátio de algum departamento, haveria uma apresentação de algum conjunto artístico. Às vezes acontece um desses eventos no CAC (Centro de Artes e comunicação) da UFPE. Esse é um dos motivos de eu passar por lá sempre que posso, mesmo estudando no Centro de Tecnologia. Esse tipo de evento fica na cabeça do aluno, dá vontade de ir pra escola só pra ver se tem algum evento-surpresa.

Tem muita coisa ainda pra melhorar o ensino, mas acredito que havendo vontade e disposição para essas mudanças básicas, muita coisa mudaria. O que vocês sugerem?, o que motivaria vocês a irem à aula?

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