Por que tanta gente desiste da universidade?

Olá. Este post é resultado da sugestão de @Bia_Souz.

Na UFPE, todas as engenharias convivem juntas no primeiro ano do curso, que é o período em que aprendemos disciplinas básicas, comuns a todas as engenharias. Durante esse ano e o ano seguinte, percebi que muita gente – muita mesmo – começou a desistir da universidade ou se desmotivou a tal ponto que reprovação era algo comum e esperado. Esse comportamento é ainda mais visível no ciclo profissional, especialmente em meu curso (eng. eletrônica).

Você acha que se conhece? (crédito: http://migre.me/3RGl8)

Por que isso acontece? Pensei em algumas coisas:

  • Os vestibulandos são obrigados a escolher sua carreira muito cedo, com pouca informação. São poucos os colégios que dão oportunidade para conhecer bem as profissões do mercado. Pior ainda é a situação dos estudantes! Imagine, com 16 ou 17 anos tomar uma decisão que vai ser o norte de toda a sua vida. Nessa idade eu não sabia nem escolher roupa direito (ok, eu ainda não sei, mas costumo dizer que tenho ‘estilo próprio’). São poucos  os alunos que têm autoconhecimento e maturidade suficientes para descobrir o que quer trilhar para o resto de sua vida. Uma solução para isso: ao entrar na universidade, haveria um semestre ou um ano durante o qual o estudante poderia escolher entre as disciplinas básicas de todas as áreas do conhecimento (humanas, exatas e saúde). Assim ele teria uma ótima noção do que ele gostaria de fazer.
  • O ensino pré-universidade é voltado somente ao vestibular. A base dos estudantes geralmente é muito fraca. Pude perceber isso de forma muito clara especialmente no 1º período do curso. Com tanta coisa – inútil – pra estudar para entrar na universidade (vide este post), a forma que os alunos têm para passar no vestibular é decorando tudo, utilizando truques mnemônicos para lembrar de tudo na hora da prova, sendo que a base mesmo não existe. Lembro-me bem do meu vestibular. Pude contar nos dedos a quantidade de questões que me fizeram pensar além das fórmulas ou das palavras decoradas. Solução: mudar o vestibular, como relatei naquele post. Os alunos têm que chegar à universidade com experiência no pensar, no questionar, no refletir, porque é isso que eles vão ter que fazer no futuro.
  • Claro, novamente, as aulas. Especialmente nos primeiros períodos, as aulas têm que ser diferenciadas. Meu pai há algum tempo encontrou seu orientador de mestrado, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia de Lula, Sérgio Rezende, que também dá aula na UFPE. Meu pai, despretensiosamente, perguntou-lhe: “E aí Sérgio, tá ensinando que disciplina?”, a que Sérgio respondeu: “Física 1”. Meu pai, atônito: “Física 1? Não podia dar uma cadeira mais importante não?”. Sérgio: “Eu acho que as disciplinas mais importantes são as do primeiro período; é um perigo deixar professores inexperientes ministrá-las“. Pois é, tem que ser assim mesmo. Eu via no meu primeiro e segundo períodos professores que sequer preparavam aula; faziam tudo na hora, sem nenhum preparo.

Enfim, esses foram os problemas e soluções que achei para pelo menos melhorar um pouco nossa universidade. O que vocês acham? Com certeza há muito mais problemas que explorarei noutros posts. Quais os problemas e possíveis soluções para diminuir a evasão na universidade?

Anúncios

5 Comentários

Arquivado em Nova universidade

5 Respostas para “Por que tanta gente desiste da universidade?

  1. Joseane Duque

    As razões que você apontou estão certíssimas. E a primeira , na minha opinião seria a mais difícil de ser alterada. Afinal, maturidade não acontece quando a gente quer, requer tempo e vivência. Talvez aumentando o período escolar resolvesse esse problema, o que eu acharia ótimo. Sempre tive a consciência de que com 16 e 17 anos não há como definir o que queremos ser como profissionais. Daí tanta desistência. Mas isso não é tão ruim porque nunca será tarde para mudarmos as nossas escolhas.
    Quanto às demais, é problema crônico que acontece em nossas universidades: o preparo e a motivação de disseminar conhecimento dos nossos professores. Professor da UFPE é funcionário público e são poucos que possuíem o comprometimento com o ensino como Sérgio Rezende. Nesse caso é preciso repensar a política dos nossos governantes no tocante ao incentivo e reconhecimento salarial e profissional e valorização do corpo discente das universidades.
    Contribuindo com outras sugestões , acho que uma melhor estrutura no próprio campus seria bem vinda.Como por exemplo, melhores restaurantes para estudantes e outros atrativos que estimulem a permanência deles na universidade.

  2. Joseane Duque

    Errata: onde se lê discente, leia-se docente.

  3. Só uma perguntinha: por que mesmo que o estudante brasileiro é empurrado para o curso superior com apenas 16 ou 17 anos? Será que um ano de reflexão (e estudo, claro) não seria bem vindo?

  4. Sim, infra-estrutura do campus é fundamental, especialmente no caso da UFPE, onde o restaurante universitário tá pra ser inaugurado há uns 3 anos.

    Mas aos professores que não têm comprometimento com o ensino, não acredito que a simples valorização profissional e salarial vá consertar. Professor universitário ganha pelo menos 2 mil reais, sem contar os benefícios; já é um bom padrão de vida. O problema, eu acho, é que eles não pensam mais como alunos. Por isso que insisto na tecla de que os professores têm que sair do pedestal. Tem que ter alguém, talvez o chefe de departamento, ou pró-reitor de assuntos acadêmicos, que bote na cabeça dos professores que a função de simples transmissor de conteúdo está quase totalmente obsoleta. Eles têm que trazer alguma coisa nova, alguma motivação, algum entretenimentos, pra motivar os alunos a assistirem a suas aulas. Eu só acho que quase nenhum professor parou pra pensar sobre essa mudança no papel do professor. Dessa forma, poderiam ganhar 1 milhão por mês que as aulas e o comprometimento continuariam sendo ruins.

  5. Pois é. Acredito que podem até entrar com 16 ou 17 anos, mas têm que passar por um estado probatório, como falei no post: um ano só cursando disciplinas básicas de todas as áreas. Assim, o estudante veria se ele quer cursar a universidade mesmo (ou se prefere algum técnico superior, ou qualquer outra coisa); além disso, conheceria mais de perto cada área de conhecimento.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s