Morar na universidade: solução ou problema?

Olá. Este post é sugestão  direta do meu amigo @casevictor.

Todos os dias, gasto cerca de 1 hora para ir à UFPE e 1h 30min para voltar (Vou com meu pai – ele ensina lá – e geralmente volto de ônibus). São no mínimo 2h 30min de tempo inútil, jogado fora, sem contar o incômodo de acordar supercedo e chegar tarde em casa, tornando a noite também pouco produtiva, e arejando o ambiente para um intermitente mau humor.

Pensando nisso, Victor Casé sugeriu: por que não podemos morar na universidade, como nos Estados Unidos?

Que ideia interessante! Morando na universidade, estaríamos sempre rodeados pelos nossos colegas; seria muito mais fácil organizar uma reunião – de qualquer teor; o meio ambiente seria certamente muito mais agradável e relaxante do que o meio urbano. Creio também que esse tempo em que o universitário estaria sozinho seria de inestimável importância para o crescimento e amadurecimento interno dele. Poderia pensar, com muito menos pressões familiares, sobre si mesmo, sobre que caminho quer para sua vida.

Entretanto, há alguns pontos negativos também. Tudo gira em torno das limitações físicas das universidades brasileiras para abrigar toda a população universitária. A UFPE, por exemplo, tem mais de 30 mil estudantes,quase 10% da população da cidade de Olinda; mas a área da UFPE é menor do que 1% da área daquela cidade. Como abrigar tanta gente? Só para se ter uma ideia, a universidade de Harvard tem 29(VINTE E NOVE!) prédios de residência estudantil, enquanto a UFPE só tem 1.

Uma residência estudantil de Harvard.

Além disso, no Brasil, a tendência de superlotação universitária seria só piorar. É reconhecido nacionalmente (e equivocadamente) que ‘quem não vai pra faculdade é vagabundo‘; talvez o objetivo mais unânime do jovem brasileiro seja o de entrar na universidade. Isso inflacionaria ainda mais o já escasso espaço físico das nossas universidades.

Também pesa bastante a distância da família. Morar sozinho, apesar da aparente liberdade, é um dos maiores desafios para os jovens. Morando com a família, podemos usufruir muitas coisas que ‘já estão prontas’, enquanto que morando sozinho, nós mesmo temos que fazer essas coisas, tomando-nos um pouco da liberdade.

Enfim, acho que a morada na universidade seja impossível retroativamente, ou seja, nossas universidades atuais não comportariam de jeito nenhum sua população: só nos resta alimentar esse sonho com futuras construções bem planejadas para esse fim.

Pergunto: será que as universidades poderiam exigir uma mensalidade para fornecer o conforto de sua morada? Vocês pagariam? Quais seriam outros pontos positivos e negativos?

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5 Comentários

Arquivado em Nova universidade

5 Respostas para “Morar na universidade: solução ou problema?

  1. Joseane Duque

    Acho que existem muitos aspectos positivos em morar na universidade. Não se perderia tanto tempo dentro de um transporte, a integração seria maior, e até o morar sozinho e se virar sozinho contribuiria para o amadurecimento do jovem estudante. Para nós, pais e mães, diferentes dos pais de outros países, seria difícil aceitar essa mudança. Apesar de tantos aspectos positivos, é preciso entender que a vida , em qualquer estágio, não é feita somente de crescimento intelectual mas também do social. Se morar em universidade significa privilegiar somente o lado educacional do jovem, haverá um prejuízo no seu amadurecimento social. É preciso que existam esses dois aspectos. A universidade deverá também oferecer opções de lazer .

  2. Putz, eu adoraria morar na universidade. Tipo, se isolar mesmo da família e morar na universidade.

    Não adianta falar dos pontos negativos, que perderíamos a mordomia blábláblá Isso só faz o jovem mais acomodado.

    Nos países mais desenvolvidos, os país praticamente chutam os filhos para fora de casa ao fazerem 18. Assim eles podem terminar de se desenvolver.

    Acredito que esse apego mt grande às crianças vem do fato de que no Brasil, as mães ainda n trabalham tanto ( problema do trabalho feminino), e tarem sempre com tempo disponível, o que termina criando um laço extraforte com os filhos, querendo deixar eles próximos o máximo possível. Assim, mesmo na universidade por aqui, as pessoas n se desenvolvem completamente, por estar todo dia voltando para casa.

    Eu adoraria morar na Universidade, mas os problemas que você falou são válidos. Recife é uma cidade MUITO pequena. Não dá para tomar uma área enorme só para a univesidade. Em contrapartida, não temos centros urbanos no interior, tão grande que dê para acomodar uma universidade desse porte, como a UFPE, ao contrário do que acontece nos EUA.

    É uma pena.

  3. Luiz Guilherme

    Bem, eu concordo com o argumento da restrição do espaço físico da universidade. Entretanto, discordo da leitora Joseane D. quando ela argumenta que haveria somente crescimento intelectual.

    No meu ponto de vista haveria um network muito mais intenso entre alunos de mesmo curso e de outras áreas de conhecimento. Além de que nada impediria o aluno de viver sua “vida social” (fora da universidade) visto que.. ele não está forçado a ficar 24h dentro do campus.

    Prós:
    – Maior facilidade de grupo de estudos e projetos
    – Amadurecimento e maior ganho de auto-confiança
    – Network e maior capacidade de Empreendimento (já que o numero de projetos iria tender a aumentar)
    – Menos ociosidade

    Contras:
    – Relação Familiar ( no quesito cotidiano )

  4. Também adoraria morar na universidade, mas isso é impossível MESMO em Recife. Teria que ser criada uma nova universidade fora da região metropolitana, numa área muito grande.

    Nunca pensei sobre o porquê desse apego tão grande aos filhos no Brasil, mas não tenho certeza se essa razão que vc falou, Paulo, é a responsável por ficarmos mais tempo em casa do que os jovens dos EUA. Acho que isso (os jovens ficarem mais tempo na casa dos pais) é uma tendência mundial. Pesquisando agora no Google, vi que na Alemanha, o povo fica até os 25 anos na casa dos pais, acontecendo a mesma coisa em outros países europeus.

    Eu acredito que nos EUA, a cultura de ‘quanto mais cedo trabalhar, melhor’ é algo muito impregnado por lá, os pais já são induzidos a induzirem seus filhos a saírem cedo de casa por causa dessa cultura do trabalho (ou para estudar na universidade).

    São aspectos históricos diferentes nesses dois casos: na Europa, sempre tivemos um estado de bem-estar muito forte, que acomodava, dava conforto aos habitantes; nos EUA, o individualismo e a busca pelo dinheiro são mais poderosos, o que incita essa vontade de se desgarrar das famílias para começar a viver sozinho.

  5. Concordo, Luiz Guilherme.

    Vejo que é muito comum a falta de auto-confiança nos jovens. Provavelmente isso é por causa do acolhimento ‘intenso’ e do conforto da casa dos pais.

    Sobre ‘maior facilidade de grupo de estudos e projetos’: ontem mesmo, eu e um amigo estávamos discutindo sobre isso. Eu moro em Olinda, ele, no sul de Recife, e estamos fazendo um projeto em eletrônica juntos. A dificuldade de reunião é muito grande, seríamos extremamente mais produtivos se morássemos no campus da UFPE.

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