Arquivo do mês: março 2011

Minhas primeiras aulas como professor

Olá. Não falei por aqui, mas faço parte de um programa que organiza cursinho pré-vestibular para alunos de escola pública, chamado Vestibular Cidadão. Sou professor voluntário de física elétrica, e minhas aulas começaram semana passada. Vou contar um pouco sobre as impressões que tive nessas aulas.

Planejei essas aulas durante uma semana, inclusive treinei bastante em frente ao espelho para ganhar confiança; estava muito animado pra colocar em prática tudo o que eu falo por aqui. Quando cheguei na sala, até eu fiquei surpreso com minha naturalidade e desenvoltura! Vi que foi muito útil todo o preparo; eu sabia exatamente o que falar, sabia quando devia fazer os alunos rirem e quando devia reforçar o assunto.

Um grande problema que senti, porém, foi o tempo das aulas. Percebi que em 50 minutos de aula é impossível o professor impactar a vida dos estudantes; sequer é possível dar um conteúdo que exija certa análise. Isso me custou parte do que havia planejado para a aula da turma de humanas; não consegui terminar o exemplo que havia proposto. Em parte, isso se deu ao fato de eu ter tido de explicar a matemática básica que o exemplo exigia, coisa que eu não havia planejado. Essa questão do tempo das aulas rendeu uma ótima discussão via twitter com diversos amigos; falarei sobre isso noutro post.

Outra coisa que descobri foi que, definitivamente, as aulas têm que ter um diferencial. Não importa o currículo do professor, não importa o quanto ele sabe: se não trouxer algo diferente, inusitado, a turma se desinteressa. O diferencial que eu trouxe foi descontrair a turma de diversas formas: contando histórias minhas engraçadas, fazendo exemplos engraçados, trazendo curiosidades sobre o assunto, entre muitas outras coisas que surgiram no improviso.

Mas, caros leitores, a maior lição que tive nessas primeiras aulas foi: os alunos percebem e adoram quando o professor gosta de dar aula. Descobri que o professor tem que se divertir quando dá aula. Nunca me diverti tanto comigo mesmo quanto na frente daquelas mais de 60 pessoas. E foi extremamente gratificante sentir a ressonância da turma. Não tem outra: o professor tem que gostar do que faz.

Minhas aulas serão sempre um show meu com a turma.

E aí, alguém já teve oportunidade de ensinar? Quais os problemas que encontrou?

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Não é só o estudante que precisa de motivação

Olá. Inspirado pelos comentários sobre meu texto no site de @paulorrj (umpapolivre.com) e também baseado nas aulas que tive essa semana, me perguntei: será que só os estudantes precisam ser motivados a assistirem às aulas? Como fazer isso se muitas vezes nem os professores estão motivados?

A questão da motivação, em qualquer aspecto, é muito difícil de se lidar. Tem gente que se emociona mais com o visual, outras com o auditivo, outras com a sinestesia. Por isso quase todas as propagandas abusam nesses três campos, para atingir a preferência de todos os espectadores.  Caso semelhante acontece se quisermos motivar os professores. Temos que utilizar todos os três campos também, mas a grande diferença é a mensagem que se passa: esta tem muito mais valor.

Tive algumas ideias de como essa mini-teoria pode  ser direcionada aos professores. Ei-las:

  • Ambientação: o ambiente físico da escola tem que ser agradável. As salas têm que ser bem iluminadas (se possível, com janelas abertas); plantas também ajudam nessa ambientação. Outra coisa que tem que mudar é o pátio. Por que tem que ter tanto concreto? Podia ter só uns caminhos de concreto e o resto seria grama rasteira, com árvores. Esse ambiente traria bem-estar a todos, inclusive aos professores.

Que pátio sem graça.

  • Diálogo franco: A direção da escola tem que ter um canal de diálogo franco e aberto com os professores. Não vejo isso nas escolas. No máximo, faz-se uma avaliação dos professores (o que é MUITO bom e tem que ser encorajado). Esse diálogo de que falo tem que ter um teor sério, e deve ser feito uma vez por ano ou por semestre. Nele, o palestrante deve mostrar como a educação está mudando e como o papel do professor muda com isso. Deve instigar o questionamento interno dos professores: “Se eu fosse aluno, eu gostaria das minhas aulas?”. Também deve dar ideias e sugestões para melhorar as aulas.
  • Integração dos professores à diretoria: Os professores têm que ter voz nas decisões da diretoria. Nada pode ser feito sem a aquiescência dos professores. Essa atitude seria um grande passo na direção da valorização do professor; ele se sentiria parte da instituição, suas decisões influiriam na política da escola/universidade.

Logicamente, a questão financeira é importante, mas quis abordar neste post somente fatores que podem ser trabalhados em âmbito interno. Noutro post deverei falar mais sobre políticas macro para lidar com motivação dos professores.

O que acham? Como podemos motivar os professores?

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O que um professor NÃO deve fazer

Olá. As aulas na UFPE voltaram nessa semana; elas são a razão de toda a minha indignação com a educação (essa aliteração ficou péssima). Essa volta às aulas, porém, foi diferente das demais. Voltei com uma visão diferente dos professores; fiquei muito mais observador e crítico.

Mesmo as aulas boas têm momentos de desânimo e sono. Senti isso nessa primeira semana. Por isso, estive observando as exatas atitudes do professor que deixam a aula chata e desmotivante. Listá-las-ei:

Ok, professor, pode sentar-se assim durante um tempinho.

  1. Dar aula sentado: Se você é professor, evite de todas as formas sentar-se na cadeira do professor. Quando o professor está sentado, é impossível observar toda a sala; alguns alunos não conseguem vê-lo também; isso é um convite para a indisciplina. Além disso, sentado, sua voz não é tão potente quanto em pé; perde-se a respeitabilidade. No máximo, pode sentar-se um pouco na sua mesa; isso dá um ar intimista e nos prende a atenção.
  2. Ficar parado: Professores que não se movimentam no palco não prendem a atençãodo estudante. Parados, são um ótimo sonífero. Mais chato ainda é quando o professor dá aula apoiando-se na parede, ou no quadro. Isso dá um desânimo danado. O professor tem que saber usar o espaço da lousa, não só se movimentando, mas gesticulando quando possível.
  3. Não descontrair: Fato. Toda aula tem que ter distração. Uma coisa que eu perceboque atiça a curiosidade dos alunos é quando o professor conta alguma história pessoal que tenha a ver com o assunto. Todo professor com certeza tem muitas histórias interessantes pra contar; fale sobre o mestrado, doutorado, algum aluno diferenciado que você já teve etc. Isso tudo tira os estudantes do stand by.
  4. Não variar o tom de voz: A maioria dos professores acha que a gente presta atenção em 100% da aula. É impossível. Ele tem que frisar as coisas mais importantes aumentando o tom de voz. Além disso, variar o tom corretamente dá mais emoção à aula; isso tudo contribui para prender a atenção do estudante.

Tudo isso está englobado no que venho falando no blog: o professor tem que atrair o estudante, tem que convencê-lo a assistir a suas aulas.

O que vocês acham? O que os professores NÃO devem fazer?

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