Arquivo do mês: abril 2011

O problema invisível das universidades

Olá.

Recentemente, eu e alguns amigos (@hrxm e @borbaline) reabrimos o Diretório Acadêmico (DA) de engenharia eletrônica da UFPE com o intuito de melhorar exponencialmente todos os aspectos do nosso curso. Para isso, começamos a procurar entender os problemas que assombram o departamento.

Então, na quinta (28/4), conversamos com o chefe do departamento, Hélio Magalhães. Foi necessário somente falarmos: “Queremos melhorar o curso”, que ele começou a discorrer sobre o maior problema, em sua opinião: a burocracia.

Foi algo incrível. Ele falou que para comprar UMA fechadura nova, tem que abrir licitação nacional e contactar no mínimo 3 empresas de todo o Brasil. Mas ninguém vende uma só fechadura!; ‘É mais fácil comprar 300 mil fechaduras do que uma só’, disse ele.

A burocracia se expande para suprir as necessidades da burocracia.

Uma coisa que se faz normalmente em todos os departamentos é a rotatividade dos equipamentos/instrumentos. Quando um setor não está utilizando, outro setor pega emprestado. Mas o que acontece muito frequentemente é vários setores do departamentos precisarem de tal equipamento ao mesmo tempo. E o que acontece? Briga interna.

Esse problema é seríssimo. Mas alguém pode questionar: “Essa burocracia é para evitar corrupção, gastos indevidos com o dinheiro público”. Ok, até certo ponto isso é tolerável. Mas o professor Hélio sugeriu uma ideia interessante: poderia ser destinado a todos os departamentos um dinheirinho, tipo uns 5 mil reais por ano, que poderiam ser gastos sem licitação para coisas corriqueiras, tipo uma fechadura. Esse dinheiro fica sujeito a corrupção? Sim, mas o dano aos cofres públicos seria mínimo.

Penso que a causa de toda essa burocracia é a desconfiança do povo nas autoridades públicas. Lógico, elas fazem por merecer todo esse descrédito, mas até que ponto essa desconfiança começa a prejudicar o próprio povo? Como combater isso?

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Uma iniciativa empreendedora na educação

Olá. Nos dias 16 e 17 de abril, aconteceu aqui em Recife o Congresso Pernambucano de Jovens Empreendedores (@CPEJE). Foi um fim de semana muito intenso sobre empreendedorismo, especialmente para quem teve que acordar às 5:45 em pleno sábado e domingo.

O evento buscou ligar a cultura pernambucana com o empreendedorismo em diversos setores da sociedade. Mostrou a história de lutas de Pernambuco e como os grandes nomes da nossa história eram empreendedores, deixando claro que essa característica está arraigada na nossa cultura.

Cara de leso: efeito de quem acorda às 5:45 num domingo (sou o da esquerda).

O tema mais interessante do evento, na minha opinião, foi a educação empreendedora. Foram mostradas iniciativas de como podemos tornar a universidade um ambiente de empreendedorismo. Entretanto, mais interessante ainda foi a ONG que conheci com um povo superagradável que encontrei por lá.

A ONG se chama Jr. Achievements e tem como objetivo fomentar o espírito empreendedor e criativo em jovens dos ensinos fundamental e médio. Difícil imaginar como seria isso, né? Pois bem, o negócio é bem simples: eles disponibilizam alguns membros da ONG (todos voluntários) para serem mentores de um grupo de jovens de uma determinada escola. Esse grupo se organiza como uma empresa normal, com diversos setores (financeiro, recursos humanos, produção), com o objetivo de criar um produto inovador, cuidando desde a pesquisa de mercado até a confecção do material.

Evento da Jr. Achievement nos EUA

Essa experiência deve ser de valor inestimável para esses jovens. Eles têm a oportunidade de trabalhar em equipe, de liderar um time, pensar baseado em soluções, além de todo o conhecimento técnico absorvido naturalmente ao trabalhar numa ‘empresa’. A ideia dessa ONG é aparentemente tão simples e eficaz que me surpreendo por não ter conhecido isso antes.

Vocês já conheciam essa ONG? Já participaram dela? Conhecem alguma outra iniciativa que incentive o empreendedorismo nos jovens? Comente!

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Ensino superior gratuito ou privado?

Olá. Semana passada, fui a uma palestra de @soficacmonteiro, de apenas 16 anos, que discorreu sobre diversos gargalos da educação brasileira, comparando-a a sistemas educacionais de outros países. Um fato que me chamou atenção foi a preferência dela por um ensino superior privado, em vez do consolidado ensino superior público do Brasil.

Ela destacou que os gastos para custear um ensino superior de qualidade são muito maiores do que se poderia gastar com a gestão do ensino fundamental/médio de igual qualidade. Foi um comentário muito interessante para mim; nunca tinha pensado nisso antes. Logo que ela falou isso, lembrei-me de um equipamento com o qual trabalho na minha iniciação científica, chamado sputtering, que custou somente 200 mil dólares. Isso tudo saiu do bolso do Estado. É lógico que é mais um investimento do que um gasto, mas é muito dinheiro. Além disso, manter umas 40 universidades federais em todos os estados do Brasil exige uma burocracia enorme, o que atrasa muitas obras e melhorias.

Olha aí a maquininha de 200 mil dólares.

Outro problema com o financiamento público das universidades é a falta de controle tanto de assiduidade quanto de produtividade dos professores/pesquisadores. Vejo recorrentemente professores de diversas áreas da UFPE que se sentem confortáveis com o cargo e com o salário, entravando o progresso científico, dedicando-se somente às aulas (e ainda assim essas aulas são, geralmente, péssimas).

Para terminar, Sofia deu uma boa dica para quem se sente desconfortável com o fato de pagar por uma universidade: sendo o ensino fundamental/médio público de qualidade, as famílias estarão livres dos gastos com escolas particulares e cursinhos, podendo poupar para o ensino superior.

Não tenho uma opinião formada ainda. Acredito que o Estado não deve ser banido da gestão das universidades, mas talvez ele deva gerir somente as mais estratégicas e consolidadas, deixando as outras com gestão privada séria, e não a que estamos acostumados a ver por aí.

O que vocês acham? Será que o Estado consegue dividir o foco do investimento no ensino fundamental e superior? Ou será que se ele privatizar um, melhorará o outro?

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