Ensino superior gratuito ou privado?

Olá. Semana passada, fui a uma palestra de @soficacmonteiro, de apenas 16 anos, que discorreu sobre diversos gargalos da educação brasileira, comparando-a a sistemas educacionais de outros países. Um fato que me chamou atenção foi a preferência dela por um ensino superior privado, em vez do consolidado ensino superior público do Brasil.

Ela destacou que os gastos para custear um ensino superior de qualidade são muito maiores do que se poderia gastar com a gestão do ensino fundamental/médio de igual qualidade. Foi um comentário muito interessante para mim; nunca tinha pensado nisso antes. Logo que ela falou isso, lembrei-me de um equipamento com o qual trabalho na minha iniciação científica, chamado sputtering, que custou somente 200 mil dólares. Isso tudo saiu do bolso do Estado. É lógico que é mais um investimento do que um gasto, mas é muito dinheiro. Além disso, manter umas 40 universidades federais em todos os estados do Brasil exige uma burocracia enorme, o que atrasa muitas obras e melhorias.

Olha aí a maquininha de 200 mil dólares.

Outro problema com o financiamento público das universidades é a falta de controle tanto de assiduidade quanto de produtividade dos professores/pesquisadores. Vejo recorrentemente professores de diversas áreas da UFPE que se sentem confortáveis com o cargo e com o salário, entravando o progresso científico, dedicando-se somente às aulas (e ainda assim essas aulas são, geralmente, péssimas).

Para terminar, Sofia deu uma boa dica para quem se sente desconfortável com o fato de pagar por uma universidade: sendo o ensino fundamental/médio público de qualidade, as famílias estarão livres dos gastos com escolas particulares e cursinhos, podendo poupar para o ensino superior.

Não tenho uma opinião formada ainda. Acredito que o Estado não deve ser banido da gestão das universidades, mas talvez ele deva gerir somente as mais estratégicas e consolidadas, deixando as outras com gestão privada séria, e não a que estamos acostumados a ver por aí.

O que vocês acham? Será que o Estado consegue dividir o foco do investimento no ensino fundamental e superior? Ou será que se ele privatizar um, melhorará o outro?

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7 Comentários

Arquivado em Nova universidade

7 Respostas para “Ensino superior gratuito ou privado?

  1. Rodrigo

    Blz, como vc diz achamos que é difícil gerir tantas universidades públicas. Mas será que é apenas uma pessoa pra gerir todas as universidades? Não são milhares de servidores engajados nessa função. É de fato caríssimo vários componentes da faculdade, tem uns que custam milhões e nem chegam a ser usados, já que não há uma pessoa hábil pra que os instalem.

    Mas somos nós que pagamos por isso. Pagamos muito imposto, um abuso. Nada mais justo que todos os serviços públicos fossem uma perfeição. Ou pelo menos o serviço da educação. A privatização não é uma boa saída, só vai privar o sonho de muitos alunos de classe média baixa, de terem acesso às universidades.
    Também não é válido o argumento de que não haveria evasão caso fosse cobrado uma mensalidade, pelo contrário, talvez vários alunos que são bons, não teriam oportunidades, sendo essas vagas preenchidas por alguém que tem dinheiro e não está preparado fundamentalmente.

    E essa questão de poupar, não é bem assim. Tem gente que ganha menos que o necessário pra comer. O que ela juntaria para pagar a universidade?
    Além disso, por que os exemplos de universidades particulares, não são destaques em relação às públicas, já que elas são, teoricamente, geridas de forma mais eficiente?

  2. São milhares de funcionários públicos que trabalham na burocracia do ensino público, mas essa quantidade é altamente ineficiente porque não há fiscalização. O sonho da maioria absoluta da população é conseguir um cargo público para ter a tão sonhada estabilidade, ou seja, o tão sonhado conforto profissional, porque o povo sabe que não há muita cobrança nesse setor. Não é tanta culpa do governo essa ineficiência; o fato é que é praticamente impossível haver controle de uma quantidade tão grande de servidores. Então, para melhorar isso, o Estado não pode cuidar de tanta universidade ao mesmo tempo. Com menos universidades públicas (mas sem acabar com elas), pode-se fazer um controle melhor, aumentando eficiência.

    Ainda haveria universidades públicas para o povo de classe baixa frequentar, mas acredito que a universidade não é o único caminho para uma vida melhor. Acho que esse é um grande paradigma da nossa educação. Temos cursos técnicos, iniciativa individual, cursos paralelos (SENAC, SENAI etc) que preparam bem os jovens para uma vida razoável sem que seja precisar pisar na universidade. Além disso, nos EUA, existem uns cursos de nível universitário (chamados APs) que os alunos podem frequentar ainda no ensino médio, e que, dependendo do seu desempenho, podem conseguir bolsa para estudar nas melhores universidades de lá.

    Sobre a falta de destaques das faculdades privadas no Brasil, isso tem duas causas:
    – o método de admissão (vestibular) que elas adotam;
    – falta de incentivo do próprio governo. Parece contraditório, mas o modelo que eu acho ideal é o seguinte: as faculdades privadas proporiam certas linhas de pesquisa em todos os campos do conhecimento, e, a partir disso, o Estado decidiria onde alocaria verba. Isso causaria uma competição muito saudável entre as faculdades, além de que o capital aplicado pelo governo não seria tão ineficiente quanto seria se a universidade fosse pública.

  3. Rodrigo

    Se ele privatizasse apenas algumas, todos passariam a procurar somente essas que são de acesso gratuito.
    Ele incentivar as unversidades particulares seria covardia, uma concorrência desleal. Imagina uma universidade que já cobra mensalidade de seus alunos ainda com incentivo do governo?! que é muito pouco, mas ajuda. As bolsas são poucas e ainda assim excluiria muitos bons alunos.
    Quanto a questão técnica é verdade, mas temos o direito de escolher. Afinal de contas, ainda existe uma grande diferença salarial do nível técnico pro superior. Eu vejo a privatização como uma regressão nos avanços conquistados sobre o balanceamento social.
    Eu penso que cabe aos superiores (governadores, reitores, ministros) estabelecerem metas a serem atingidas tanto pelos funcionários como pelos alunos. Devia haver uma cobrança saudável pra que consseguíssemos manter um certo padrão de qualidade.

    Essa coisa de que é impossível controlar não é ao todo verdade. É necessário vontade, que isso não pode ser enxergado pelos representantes. Todos fazem corpo mole, pois a folga também é “agradável” para eles.

  4. Beatriz de P Souza

    O ensino superior público de qualidade exige menos investimento que o ensino fundamental/médio pois existem relativamente poucas universidades públicas, de qualidade. Se o governo privatizasse o ensino superior, ia demorar muito ou nunca chegaríamos a uma realidade de escolas de fundamental/médio preparadas pra os estudantes. E eu por exemplo, estudei grande parte da minha vida em escolas públicas, não tenho condições pra pagar uma faculdade, minha unica chance é uma pública.
    Mas existem muitas universidades privadas, quem não está disposto a estudar em uma do governo não precisa perder tempo.
    Quanto ao ensino superior em outros países, um exemplo que sempre ocorre em discussões é o Estados Unidos, onde o fundamental e médio é de qualidade e publico e o superior é privado, mas o que eu conheço de amigos meus que moram lá é que a realidade não é tão fácil, eles não conseguem juntar dinheiro e quando entram na faculdade se afundam em dividas e acabam comprometendo o rendimento com trabalhos extras pra tentar pagar a divida.
    Essa é uma questão muito profunda, e esse foi apenas um ponto de vista meu.

  5. O que eu acho superinjusto é o povo que tem capacidade de pagar uma boa faculdade particular frequentando universidade pública. Eu me encaixo nisso, mas só porque acredito que não haja faculdades particulares de qualidade por aqui. Então, o dinheiro do governo seria exatamente para as faculdades se arrumarem de vez; seria um jeito de elas conseguirem credibilidade junto ao povo que pode pagar a mensalidade.

    Me irrita muito quando vejo tanta gente reprovando tantas cadeiras sem se importar com isso. É esse povo que eu quero que não vá à universidade. Talvez com alguma mensalidade pra pagar, essas pessoas pensariam melhor se querem universidade ou curso técnico. Mas é claro que não pode ser só a mensalidade né; as faculdades privadas têm que angariar prestígio, senão não serve pra nada.

  6. Rodrigo

    Como assim super injusto?
    =O
    Tá começando a pensar como um burguês.
    Injusto é pagar plano de saúde, é pagar escola particular. Isso, sim, é injusto. Nós temos que mudar essa postura de tirar o peso das costas do nosso Estado. É um dos que mais recebe, temos que passar a cobrar resultados. Não tem essa, de pagar como o incompetente atarefado. Tem que mudar os gestores, tem que mudar a visão. Tem que inovar, mas sem privatizar.

  7. Talvez eu não tenha sido claro. Eu acho injusto os ricos frequentarem universidade pública tendo a capacidade de frequentar universidades particulares, podendo deixar as públicas pro povo que não pode pagar.

    Eu acredito que haja uma forma diferente de gerir as universidades públicas. Seria dando total autonomia a elas, mas o que pesaria seria a autonomia financeira, porque a fonte de renda das universidades públicas é praticamente toda do Estado. Esse é o impasse. Sendo as universidades autônomas, poderiam escolher a bel-prazer toda a sua estrutura, além de se livrarem de toda a burocracia existente na esfera federal. Esse seria um método muito eficiente. Mas como resolver a autonomia financeira? Quais podem as fontes de renda de uma universidade?

    Pensei rapidamente em patentes de novas tecnologias, mas isso fica restrito à área de exatas, além de que é uma alavancagem muito grande basear suas finanças em descobertas científicas; muito arriscado. Talvez as universidades poderiam fazer parcerias com empresas, mas aí já seria meio que uma privatização do ensino.

    A questão da eficiência da gestão educacional não é tão simples que se resolva só com vontade. A burocracia é um enorme empecilho; mas o pior é que ela é necessária, porque estamos lidando com um bem público. Acho que o problema é estrutural, e não conjuntural. Não basta boa vontade.

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