Arquivo do mês: maio 2011

Amanda Gurgel, tome a iniciativa!

Olá. Nos últimos anos, tenho parado para pensar sobre como acontecem as grandes mudanças nos países. Cheguei à conclusão de que o processo de mudança acontece, basicamente, em duas etapas: a primeira ocorre com forte apelo popular, com o povo indo às ruas motivado por diversos problemas estruturais, sendo a liderança algo completamente espontâneo (ex.: se não houvesse Frei Caneca, haveria outro líder, já que a situação do povo era precária); a segunda, por sua vez, caracteriza-se por uma disseminação de pequenos movimentos, em várias áreas, com diversos líderes, sendo estes os principais atores da mudança. A liderança não é mais espontânea, ou seja, é o líder que cria a situação de sua liderança, não mais o povo; o foco sai do povo e vai para o líder.

Acredito que todos nós já temos conhecimento da professora Amanda Gurgel, que ficou famosa após divulgação de um vídeo no qual ela aparece cobrando dos políticos do Rio Grande do Norte uma postura mais firme na educação daquele estado.

Professora Amanda Gurgel: "A educação nunca foi prioridade nos governos"

Pois bem, muitos dirão que tudo o que ela falou é lugar-comum, clichê e talvez inútil. Até concordo com isso, mas tem uma coisa nela que nunca tinha visto noutros discursos sobre educação: paixão. Ela me parece apaixonada pela educação, e isso certamente fará a diferença. Eu acredito que ela tenha criado a situação para sua liderança.

Carecemos de líderes na educação, de gente que ranja os dentes ao falar desse assunto, de gente que sinta o desafio do ensino, de gente que acredite que é capaz de mudar tudo isso.

Pensando nisso, diria uma coisa a ela: aproveite essa posição para tentar chegar ao poder com essa mesma motivação; tome a iniciativa de mudar a educação.

Acho que ela poderá fazer sua contribuição enquanto professora, mas com isso, ela mudará a vida de no máximo alguns estudantes. Se for ao poder, mudará a vida de milhões. Ela tem esse poder. Todos nós temos.

Quem me segue no twitter, já me viu falar “o Estado somos nós”, ou seja, somos nós que fazemos as coisas acontecerem, e não o Estado. Mas isso não significa que o Estado não seja importante. Na verdade, ele só precisa de gente que faça as coisas acontecerem. Amanda Gurgel me parece uma pessoa desse tipo.

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Arquivado em Nova sociedade, Novo professor

Educação a distância tem futuro?

Olá. Muito se fala sobre a integração entre educação e tecnologia em sala de aula: slides, vídeos e internet certamente podem mudar o ambiente escolar, mas para mim, o papel fundamental da tecnologia na educação é a possibilidade do ensino a distância (EAD). Mas por ser algo tão incipiente, há diversos problemas que deverão ser enfrentados.

Talvez o maior deles seja o alto grau de dispersão dos estudantes num mundo dominado pela megalomania das mídias, imagens e sons, causando uma quase inevitável desorganização pessoal nos estudos. Isso, somado à aparente liberdade que o EAD propicia, pode ser fatal para esse novo estilo de ensino. Entretanto, cedo ou tarde, o estudante terá que adquirir essa organização pessoal; talvez com o EAD, esse urgência apareça mais cedo, o que poderá lhe causar um amadurecimento saudável nessa área.

Outro problema, talvez mais estrutural, é que nosso sistema de ensino ainda é muito voltado ao ensino, e não à aprendizagem. Esclareço: ainda se espera que todo o conhecimento venha do professor. Não é comum o professor estimular o aluno a procurar informações fora da aula. Essa falha certamente significará o fracasso total do EAD. Com a distância física entre aluno e professor, é impraticável que o aluno dependa tanto do professor. A solução para esse problema é um tanto mais complexa, porque exige um reposicionamento do professor. Ele deverá deixar de ser somente detentor de conhecimento para ser um agente de mudança nos alunos; deverá incitar o pensamento próprio do estudante a fim de propiciar-lhe autonomia intelectual necessária para um estudo mais autodependente.

A nova sala de aula

Existe ainda uma questão que provavelmente nunca poderá ser resolvida: o ambiente escolar seria degenerado. Não haveria interação ‘normal’ entre colegas de classe. Mas isso só será um grande problema caso o EAD seja adotado como o sistema principal de ensino, coisa que, acredito, nunca acontecerá.

Então, apesar de muitos poréns, penso que o EAD abre mais portas do que se pensava. Só o fato de haver possibilidade de um cara da África fazer mestrado em Harvard pela internet me é esperançoso.

As distâncias em todo o mundo estão diminuindo; é hora de a educação entrar nesse mundo. E você? O que acha do EAD? Quais os outros problemas?, quais as portas que podem ser abertas?

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Por que as aulas são tão ruins?

Olá. Como vão suas aulas? As minhas vão péssimas. Nessas últimas semanas, eu poderia ser considerado um péssimo exemplo de aluno: nas aulas, só faço dormir, ou ler outras coisas, ou apreciar a paisagem da janela. Está impossível tornar produtivo o tempo da aula.

Eu percebo que os professores estão percebendo isso; sinto que eles mesmos não gostam da própria aula. Mas parece que o instinto científico deles falha na parte principal: “O que eu posso fazer para melhorar a aula?”. Confesso que não conheço uma resposta universal para essa pergunta, mas sei algumas coisas que eles estão fazendo errado.

Sinto que, de alguma forma, os professores sentem-se intimidados pela turma; têm medo de arriscar porque isso pode causar-lhes alguma situação embaraçosa. Mas e daí que eles possam passar vergonha? Qual o problema? O professor não perderá a respeitabilidade: continuará com seu mestrado, doutorado, título de Ph.D etc. Acho até que seria mais respeitado pelos alunos e criaria um canal de comunicação mais informal e agradável.

Essa aula seria melhor do que muitas.

Outro grande problema é a falta de questionamentos na aula. O professor geralmente não excita nossa inteligência. Só faz vomitar conhecimento e escrever no quadro. Pior: escreve exatamente o que tem no livro. Pra mim, isso é um convite: “Durmam, queridos alunos”. Eu só acordo nas aulas quando sinto que o professor desafiou a turma, quando sinto que fui desafiado. A inteligência não surge do acúmulo de informações, mas ela se alimenta dela mesma; quanto mais se pensa, mais se pensa.

A gente percebe que tem alguma coisa errada quando a razão mais forte pela qual vamos às aulas é para marcar presença; pra muita gente, o professor é só alguém que faz chamada. E pronto. Esse é o papel do professor. Esse é o papel do professor?

E pra vocês, por que as aulas são tão ruins?

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