Por que as aulas são tão ruins?

Olá. Como vão suas aulas? As minhas vão péssimas. Nessas últimas semanas, eu poderia ser considerado um péssimo exemplo de aluno: nas aulas, só faço dormir, ou ler outras coisas, ou apreciar a paisagem da janela. Está impossível tornar produtivo o tempo da aula.

Eu percebo que os professores estão percebendo isso; sinto que eles mesmos não gostam da própria aula. Mas parece que o instinto científico deles falha na parte principal: “O que eu posso fazer para melhorar a aula?”. Confesso que não conheço uma resposta universal para essa pergunta, mas sei algumas coisas que eles estão fazendo errado.

Sinto que, de alguma forma, os professores sentem-se intimidados pela turma; têm medo de arriscar porque isso pode causar-lhes alguma situação embaraçosa. Mas e daí que eles possam passar vergonha? Qual o problema? O professor não perderá a respeitabilidade: continuará com seu mestrado, doutorado, título de Ph.D etc. Acho até que seria mais respeitado pelos alunos e criaria um canal de comunicação mais informal e agradável.

Essa aula seria melhor do que muitas.

Outro grande problema é a falta de questionamentos na aula. O professor geralmente não excita nossa inteligência. Só faz vomitar conhecimento e escrever no quadro. Pior: escreve exatamente o que tem no livro. Pra mim, isso é um convite: “Durmam, queridos alunos”. Eu só acordo nas aulas quando sinto que o professor desafiou a turma, quando sinto que fui desafiado. A inteligência não surge do acúmulo de informações, mas ela se alimenta dela mesma; quanto mais se pensa, mais se pensa.

A gente percebe que tem alguma coisa errada quando a razão mais forte pela qual vamos às aulas é para marcar presença; pra muita gente, o professor é só alguém que faz chamada. E pronto. Esse é o papel do professor. Esse é o papel do professor?

E pra vocês, por que as aulas são tão ruins?

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5 Comentários

Arquivado em Nova universidade, Novo professor

5 Respostas para “Por que as aulas são tão ruins?

  1. Aulas também ruins, brother.
    Você não está sozinho nessa.

    Mas tenho que elogiar também: tenho 2 bons professores, que têm uma didática muito boa e parecem saber do qu estão falando: entendem as dúvidas dos alunos e não titubeam ao responder.

    Quanto a esse “mais” que procuramos nos professores, essa maneira diferente de ensinar… ainda não encontrei.

    Abraço

  2. Esse “mais” na didática é muito difícil de achar mesmo. Mas os professores que não conseguem isso, podem recorrer a outros métodos. Eu mesmo, por exemplo, sinto que não tenho boa didática, sou meio confuso em passar conhecimento, mas sinto que meus alunos aprendem muito com reflexões próprias incitadas por algumas perguntas que faço na aula. Essa é uma saída: incentivar o pensamento.

    Enquanto os professores não pensarem nisso, sofreremos com essas aulas ruins :/

    Abraço

  3. Adson Danilo

    Eu acho que um ponto crucial nessa relação são os primeiros momentos dentro da universidade (ou qualquer outro ambiente de ensino que seja).

    A frustração que muitos alunos tem com o comportamento e a didática dos professores no primeiro período, por exemplo, vai fazer com que eles já cheguem desmotivados no segundo período. Os professores do segundo período, que nada sabem das angústias dos alunos, não serão estimulados pela idéia de cativar uma turma que (aos olhos deles) está desinteressada, e esse acabará sendo outro semestre ruim tanto para professores quanto para alunos.

    Acho que o ponto crítico realmente é o primeiro período, momento em que os alunos ainda estão empolgados com a perspectiva do curso e tem tudo para serem cativados pelos professores e ganhar ânimo extra para o resto do curso.

    A primeira impressão pode até não ser “aquela que fica”, mas certamente deixa uma marca nos alunos.

    Abraço

  4. Concordo plenamente. Por isso que achei memorável a sensibilidade de Sérgio Rezende ao escolher lecionar Física 1 aos calouros (vide este texto).

    Isso tudo acontece porque ainda se pensa que os estudantes são ‘obrigados’ a se sentirem interessados pelas aulas. Não é mais assim. Os estudantes são nossos ‘clientes’: temos que vender nossa aula para eles.

    Abraço

  5. Por isso é importante mais do que nunca desenvolver autonomia…Mas temos que cobrar professores de qualidade…Minhas aulas são uma tristeza também, por isso criei meu blog…

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