Amanda Gurgel, tome a iniciativa!

Olá. Nos últimos anos, tenho parado para pensar sobre como acontecem as grandes mudanças nos países. Cheguei à conclusão de que o processo de mudança acontece, basicamente, em duas etapas: a primeira ocorre com forte apelo popular, com o povo indo às ruas motivado por diversos problemas estruturais, sendo a liderança algo completamente espontâneo (ex.: se não houvesse Frei Caneca, haveria outro líder, já que a situação do povo era precária); a segunda, por sua vez, caracteriza-se por uma disseminação de pequenos movimentos, em várias áreas, com diversos líderes, sendo estes os principais atores da mudança. A liderança não é mais espontânea, ou seja, é o líder que cria a situação de sua liderança, não mais o povo; o foco sai do povo e vai para o líder.

Acredito que todos nós já temos conhecimento da professora Amanda Gurgel, que ficou famosa após divulgação de um vídeo no qual ela aparece cobrando dos políticos do Rio Grande do Norte uma postura mais firme na educação daquele estado.

Professora Amanda Gurgel: "A educação nunca foi prioridade nos governos"

Pois bem, muitos dirão que tudo o que ela falou é lugar-comum, clichê e talvez inútil. Até concordo com isso, mas tem uma coisa nela que nunca tinha visto noutros discursos sobre educação: paixão. Ela me parece apaixonada pela educação, e isso certamente fará a diferença. Eu acredito que ela tenha criado a situação para sua liderança.

Carecemos de líderes na educação, de gente que ranja os dentes ao falar desse assunto, de gente que sinta o desafio do ensino, de gente que acredite que é capaz de mudar tudo isso.

Pensando nisso, diria uma coisa a ela: aproveite essa posição para tentar chegar ao poder com essa mesma motivação; tome a iniciativa de mudar a educação.

Acho que ela poderá fazer sua contribuição enquanto professora, mas com isso, ela mudará a vida de no máximo alguns estudantes. Se for ao poder, mudará a vida de milhões. Ela tem esse poder. Todos nós temos.

Quem me segue no twitter, já me viu falar “o Estado somos nós”, ou seja, somos nós que fazemos as coisas acontecerem, e não o Estado. Mas isso não significa que o Estado não seja importante. Na verdade, ele só precisa de gente que faça as coisas acontecerem. Amanda Gurgel me parece uma pessoa desse tipo.

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3 Comentários

Arquivado em Nova sociedade, Novo professor

3 Respostas para “Amanda Gurgel, tome a iniciativa!

  1. O problema é justamente esse. As pessoas falam em “lugar-comum” com um conformismo que, sinceramente, dá medo. Não se conquista mudanças sem luta, e essa professora está de parabéns, pois mostrou interesse em fazer a parte dela.

  2. Opa, Nivaldo.

    Então, acredito que ela vá fazer a parte dela; já começou a fazer a parte dela. Mas pra mudar uma situação significativamente, ela vai ter que fazer a parte dela e a parte de muitas outras pessoas.

  3. Estamos todos entrelaçados numa teia. Precisamos encarar o pensamento sistêmico se quisermos uma real mudança.

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