Arquivo da categoria: Nova sociedade

Reestruturação do blog

Olá. Venho trazer boas novas: o blog foi totalmente reestruturado e se mudou para um endereço próprio (viva!). Agora, acesse http://www.umanovaeducacao.com para continuar a se informar sobre a nova educação que está surgindo 😀

Espero que tenham gostado do novo layout. Até lá!

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Khan Academy: uma escola com 1 milhão de estudantes

Olá. Faz algum tempo que não atualizo o blog por alguns motivos: primeiro, meu computador está no conserto há duas semanas. Segundo, estou nas últimas provas do semestre na faculdade. Mas agora surgiu um tempinho para trazer coisa nova ao blog.

Semana passada, meu amigo @NatanCafe me indicou um texto sobre um cara do TED (mesma ‘organização’ da qual faz parte Sir Ken Robbinson, inspiração deste post) chamado Salman Khan, que tem simplesmente 3 diplomas do MIT (Massachussets Institute of Technology) e ainda um MBA em Harvard. Sua vida era bastante monótona; trabalhava numa grande empresa de especulação financeira, ou seja, não tinha função social nenhuma. Até que um dia, duas primas suas pediram que ele lhes explicasse um pouco sobre alguns assuntos básicos de matemática (probabilidade, progressão aritmética), mas, como elas moravam bastante longe, ele simplesmente gravou uma aula e divulgou no youtube. Ele não esperava que essa aula despretensiosa fosse o início de uma organização que está mudando a educação mundial.

O fato é que as primas gostaram tanto que começaram a divulgar na própria turma. O negócio tomou proporções tão grandes que Salman era requisitado pela própria escola a dar essas ‘aulas de suporte’. Ele viu que isso teria futuro, e então demitiu-se do emprego que lhe rendia centenas de milhares de dólares ao ano. E aí, tudo aconteceu. Salman começou a preparar também aulas de física, química, finanças, cálculo, álgebra vetorial, biologia, enfim, todas as áreas do conhecimento. Mas será que foi uma boa ideia sair do emprego seguro para seguir essa empreitada arriscada numa organização não-lucrativa? Bem, o Google, assim que ficou sabendo desse projeto, doou alguns milhões de dólares para ajudar na tradução dos vídeos para todo o mundo.

Olhaí o time que tá mudando a educação no mundo. Khan é o da esquerda.

Agora, a Khan Academy tem mais de 1 milhão de usuários em todo o mundo. São mais de 2100 aulas gravadas, além de diversos exercícios disponíveis aos alunos.

Essa iniciativa é mais um exemplo do que falei no post anterior sobre as mudanças no mundo moderno serem efetivadas por indivíduos, sem ter o aval de nenhum poder centralizado. Salman, impulsionado pelo sonho de universalizar a educação de forma criativa e divertida, foi atrás do que fosse necessário para transformar o mundo no que ele acha que é certo; não precisou de apelo popular nem nada, foi ele que idealizou o projeto; ele conseguiu convencer o mundo de que nossa educação precisa de mudanças drásticas, e ele está executando essas mudanças.

Para finalizar, qualquer um de nós pode contribuir com a iniciativa de Salman. No site dele, tem uma seção para quem quiser ajudar o projeto: seja como tradutor ou contribuidor financeiro.

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Amanda Gurgel, tome a iniciativa!

Olá. Nos últimos anos, tenho parado para pensar sobre como acontecem as grandes mudanças nos países. Cheguei à conclusão de que o processo de mudança acontece, basicamente, em duas etapas: a primeira ocorre com forte apelo popular, com o povo indo às ruas motivado por diversos problemas estruturais, sendo a liderança algo completamente espontâneo (ex.: se não houvesse Frei Caneca, haveria outro líder, já que a situação do povo era precária); a segunda, por sua vez, caracteriza-se por uma disseminação de pequenos movimentos, em várias áreas, com diversos líderes, sendo estes os principais atores da mudança. A liderança não é mais espontânea, ou seja, é o líder que cria a situação de sua liderança, não mais o povo; o foco sai do povo e vai para o líder.

Acredito que todos nós já temos conhecimento da professora Amanda Gurgel, que ficou famosa após divulgação de um vídeo no qual ela aparece cobrando dos políticos do Rio Grande do Norte uma postura mais firme na educação daquele estado.

Professora Amanda Gurgel: "A educação nunca foi prioridade nos governos"

Pois bem, muitos dirão que tudo o que ela falou é lugar-comum, clichê e talvez inútil. Até concordo com isso, mas tem uma coisa nela que nunca tinha visto noutros discursos sobre educação: paixão. Ela me parece apaixonada pela educação, e isso certamente fará a diferença. Eu acredito que ela tenha criado a situação para sua liderança.

Carecemos de líderes na educação, de gente que ranja os dentes ao falar desse assunto, de gente que sinta o desafio do ensino, de gente que acredite que é capaz de mudar tudo isso.

Pensando nisso, diria uma coisa a ela: aproveite essa posição para tentar chegar ao poder com essa mesma motivação; tome a iniciativa de mudar a educação.

Acho que ela poderá fazer sua contribuição enquanto professora, mas com isso, ela mudará a vida de no máximo alguns estudantes. Se for ao poder, mudará a vida de milhões. Ela tem esse poder. Todos nós temos.

Quem me segue no twitter, já me viu falar “o Estado somos nós”, ou seja, somos nós que fazemos as coisas acontecerem, e não o Estado. Mas isso não significa que o Estado não seja importante. Na verdade, ele só precisa de gente que faça as coisas acontecerem. Amanda Gurgel me parece uma pessoa desse tipo.

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Uma iniciativa empreendedora na educação

Olá. Nos dias 16 e 17 de abril, aconteceu aqui em Recife o Congresso Pernambucano de Jovens Empreendedores (@CPEJE). Foi um fim de semana muito intenso sobre empreendedorismo, especialmente para quem teve que acordar às 5:45 em pleno sábado e domingo.

O evento buscou ligar a cultura pernambucana com o empreendedorismo em diversos setores da sociedade. Mostrou a história de lutas de Pernambuco e como os grandes nomes da nossa história eram empreendedores, deixando claro que essa característica está arraigada na nossa cultura.

Cara de leso: efeito de quem acorda às 5:45 num domingo (sou o da esquerda).

O tema mais interessante do evento, na minha opinião, foi a educação empreendedora. Foram mostradas iniciativas de como podemos tornar a universidade um ambiente de empreendedorismo. Entretanto, mais interessante ainda foi a ONG que conheci com um povo superagradável que encontrei por lá.

A ONG se chama Jr. Achievements e tem como objetivo fomentar o espírito empreendedor e criativo em jovens dos ensinos fundamental e médio. Difícil imaginar como seria isso, né? Pois bem, o negócio é bem simples: eles disponibilizam alguns membros da ONG (todos voluntários) para serem mentores de um grupo de jovens de uma determinada escola. Esse grupo se organiza como uma empresa normal, com diversos setores (financeiro, recursos humanos, produção), com o objetivo de criar um produto inovador, cuidando desde a pesquisa de mercado até a confecção do material.

Evento da Jr. Achievement nos EUA

Essa experiência deve ser de valor inestimável para esses jovens. Eles têm a oportunidade de trabalhar em equipe, de liderar um time, pensar baseado em soluções, além de todo o conhecimento técnico absorvido naturalmente ao trabalhar numa ‘empresa’. A ideia dessa ONG é aparentemente tão simples e eficaz que me surpreendo por não ter conhecido isso antes.

Vocês já conheciam essa ONG? Já participaram dela? Conhecem alguma outra iniciativa que incentive o empreendedorismo nos jovens? Comente!

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Procura-se uma educação empreendedora

Olá. Na metade do ano de 2009, entrei despretensiosamente na AIESEC de Recife, organização não-governamental internacional cuja missão, dentre outras, é a de formar os futuros líderes. Mas como se forma um líder?, é só estudar toda aquela teoria toda arrumadinha sobre ‘o que é liderança‘?

O método da AIESEC de fomentar a liderança em seus membros é bem simples: são-nos dadas oportunidades de liderança, de liderar um grupo com um certo objetivo, e aí tentamos aplicar a teoria à prática. Tive a oportunidade de exercer um cargo de liderança, que, apesar de não ter sido nem um pouco parecido com o que havia planejado, foi uma experiência absurdamente enriquecedora pra mim em todos os aspectos (menos financeiro, porque o trabalho é voluntário).

Não só durante o cargo de liderança, mas enquanto estive imerso na atmosfera da AIESEC, senti-me um empreendedor, alguém que traça objetivos e vai em busca deles, alguém pró-ativo. Percebo que falta esse tipo de educação empreendedora no Brasil. Como diz @manualdoheroi, a faculdade nos ensina a ser empregados. É claro que há muita gente que não ambiciona cargos de lideranças, mas é importantíssimo que esse tipo de ambição seja incentivado.

Mas como poderíamos incentivar a educação empreendedora?

Quem você quer ser?

Estava discutindo com Henrique Reis sobre algum aspecto da educação, e ele surgiu com a seguinte ideia: “As escolas e as universidades poderiam ter cursos não necessariamente acadêmicos, tipo culinária, línguas, literatura não só para os estudantes, como para toda a comunidade”. Para complementar essa ideia, pensei que os próprios alunos poderiam organizar tudo isso. Haveria um comitê de organização de uns 5 ou 6 (talvez mais) alunos, dos quais um seria o presidente, e um tutor da escola acompanharia o grupo. Então, esse comitê pensaria em tudo: local, horário, material humano, recursos etc. Acredito que seria uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento pessoal e profissional dos alunos.

Pense bem. Isso não custaria quase nada. Só depende da força de vontade, do desejo de querer uma educação que abra as portas pros estudantes. E veja como isso pode ter desdobramentos incríveis:

No Japão, uma empresa de produção de aço, Nippon Steel, sofria com a falta de mão de obra qualificada para seus diversos setores: desde marketing até técnico em metalurgia. O CEO da empresa, num ato incrivelmente empreendedor e visionário, começou a fazer parcerias com as universidades de Tóquio, fornecendo bolsas para iniciação científica em diversos cursos que não tinham necessariamente algo a ver com o ramo da empresa. Perguntado sobre essa possível ‘falta de foco’ na distribuição de bolsas, o CEO respondeu: “Estamos somente interessados na experiência que uma iniciação propicia ao estudante: formulação do problema, investigação, solução. O tema em si não interessa: o que importa é o processo, este é insubstituível“.

O que eu quero dizer é que os resultados de uma ação empreendedora reverbera em todo o ambiente à sua volta. O CEO da Nippon Steel mostrou-se diferenciado, sensível, e isso refletiu na experiência única que milhares de universitários tiveram com a iniciação científica patrocinada pela empresa. Ou seja, um simples empreendimento mudou a vida de milhares de pessoas e famílias.

Nesse ritmo de empreendedorismo, temos uma grande oportunidade para quem deseja conhecer mais sobre isso e conhecer muita gente envolvida nesse ramo: o CPEJE. Visite o site e conheça. Vale muito a pena.

E vocês? Como incentivar a liderança, o empreendedorismo nos jovens? Vocês acham mesmo que isso é importante?

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Qual a função do novo professor?

Olá.

Quando cursava o 3º ano do ensino médio, tinha um professor de química orgânica que era tido como o terror, o senhor absoluto da razão, o intimidador (quem estudou comigo certamente não o achava muito simpático). Certa vez, numa aula, lá estava ele falando sobre como aplicar o conhecimento da química orgânica no dia-a-dia: “Sabe o teste do bafômetro? Vocês podem utilizar esse composto pra reagir com o álcool e enganar o guarda”, e a sala toda começou a rir. Eu nunca fui disso, sempre fui um pouco – bastante – chato com essas coisas. Então, levantei a voz: “Professor, você tem noção do que está falando?”. E a sala toda calou-se; de repente fui o centro das atenções. O professor me olhou mais intimidador do que nunca, mas percebi certo medo nos seus olhos. Ele nunca havia sofrido uma represália antes.

“Talvez o senhor não saiba, mas os alunos vêem o professor, de uma forma ou de outra, como exemplo pra vida, ainda mais nesse mundo onde a família não tem mais tanta influência na nossa vida quanto antes”. Senti um alívio por ter finalmente falado isso na frente dele, na frente de toda a sala.

O professor desconversou: falou que tinha vivido na ditadura, na repressão etc etc, não falou nada com nada. No fim, depois de a turma ter tirado onda falando que ‘eu tinha posto o professor de castigo’, ele, o professor, chegou pra mim, e falou: “Você tem meu respeito”.

Até a metade do século passado, os valores sociais não permitiam – ou o capitalismo ainda não exigia – mulheres que saíssem de casa para trabalhar. Inevitavelmente, com isso, a família era algo muito sólido; a figura materna, e também a paterna, era muito forte.

Entretanto, com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, a família começou a se desestruturar, obscurecendo as figuras paternas. Os filhos e os pais começaram a passar cada vez menos tempo em casa; assim, o arcabouço de influências dos filhos não é mais prioritário dos pais; eles procuram essas influências noutros lugares.

É inerente ao ser humano procurar referências em tudo na sua vida; antigamente, muitas vezes essa referência eram os pais; mas hoje, não. Estamos num vazio da ética, do companheirismo, da significância, do autoconhecimento. Quem tem que preencher esse vazio de influências é o professor, seja de colégio, de judô, esgrima, lacrosse ou de japonês, porque é o professor que passa mais tempo com as crianças/jovens; é nele que o estudante presta atenção; o professor tem que ser pai. É uma responsabilidade enorme, mas são poucos os professores que sabem dela.

O Brasil evolui economicamente mas o seu povo não evolui. A evolução de um povo se dá com a evolução de seus valores, de suas preocupações. Infelizmente, estamos longe disso ainda.

O professor é a solução. Mas ele tem que saber o poder que tem para mudar a sociedade.

Para vocês, qual deve ser a função do professor?

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Nossa educação mata a criatividade?

Olá. Este post é baseado no meu discurso no curso do meu amigo @manualdoheroi e num vídeo de Sir Ken Robbinson.

Quando eu estava cursando a disciplina de cálculo 3, estudando o assunto de integral de linha, a professora estava mostrando como calcular uma dada integral bem singular, que tinha duas variáveis de integração (não precisa entender isso). Eu não estava entendendo o modo padrão que a professora estava usando para explicar, então perguntei: “Professora, é como se eu estivesse integrando tal função no eixo x e tal função no eixo y?, e depois somo os dois resultados?”. Ela parou para pensar e disparou: “Não sei, estou aqui para fazer vocês calcularem“.

Pensei com meus botões: “Ué, o jeito que pensei faz todo sentido, e é muito mais fácil aprender dessa forma. Não seria melhor a turma toda entender assim?”.

A partir daí comecei a ver que a educação institucional mata nossa criatividade. Talvez possamos entender isso melhor com um teste que foi feito em algum lugar do mundo, em algum ano recente. Imagine um clip de papel.

Sim, um clip de papel.

Agora, pergunto: “Quais os possíveis usos de um clip de papel?”. Fale tudo o que vem à sua cabeça. (Tempo para pensar…)

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, 0.

Acabou o tempo. É bastante provável que as respostas mais comuns tenham sido as mais esperadas: tudo relacionado a papel, ou destrancar portas. Entretanto, o teste original foi feito com crianças de 5 a 9 anos, e as respostas foram: “O clip pode ser de borracha?, pode ter 3 metros de altura?, pode ser colorido?”.

Para chegar aonde desejo, contarei outra historinha. Uma menininha de 5 anos estava na sala de aula, mas não prestava atenção na aula, estava compenetrada desenhando no caderno. A professora percebeu e chegou junto dela. Viu um desenho bem colorido, bem imaginativo, muito incomum – criativo. Perguntou-lhe:

– O que você está desenhando?.

– Deus.

– Ora, mas ninguém sabe como Deus é!, ninguém sabe sua aparência!

– Daqui a 5 minutos todo o mundo vai saber.

Imagem retirada de anacristinasouza.arteblog.com.br

Mas qual terá sido a principal diferença entre nós, vigorosos jovens e adultos, e essas crianças? Básica: nós fomos educados, nossa mente foi ‘contaminada’ pela educação institucional. Com a educação padronizada, é comum perdermos a capacidade de criar, porque temos o receio do erro. A verdade é que fomos educados para não errar, porque essa é uma educação voltada ao meio empresarial, onde um erro pode custar milhões de reais. Mas é o erro, principalmente na juventude, que propicia o crescimento e a felicidade pessoal. É o erro que nos permite descobrir qual é o nosso sonho, qual é a atividade na vida que nos faz sentir bem.

Todos nós nascemos artistas, mas somos educados para desprezar esse talento, porque matemática e português são muito mais importantes do que música e teatro. Será que a arte é tão não-importante assim? A arte estimula a criatividade, a experimentação, o questionamento, em todos os ramos. O nosso mundo precisa disso.

Quando foi a última vez que você fez algo criativo?

Não estou dizendo para abandonarmos as matérias ‘normais’, até porque existem artistas em todos os ramos, inclusive na ciência. Quero dizer que nosso ensino não pode nos privar da nossa arte.

Então, conto com os assíduos leitores deste blog para não deixar a criatividade esvanecer. Estimulem-na, não se inibam. Falem muita besteira, isso é muito bom pra criatividade. Pensem sempre como uma criança.

E pensem nisto: sendo a arte tudo aquilo que lhe fortalece a criatividade, qual é a sua arte? Como estimular a arte nas escolas e universidades?

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