Arquivo da categoria: Novo professor

Reestruturação do blog

Olá. Venho trazer boas novas: o blog foi totalmente reestruturado e se mudou para um endereço próprio (viva!). Agora, acesse http://www.umanovaeducacao.com para continuar a se informar sobre a nova educação que está surgindo 😀

Espero que tenham gostado do novo layout. Até lá!

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Amanda Gurgel, tome a iniciativa!

Olá. Nos últimos anos, tenho parado para pensar sobre como acontecem as grandes mudanças nos países. Cheguei à conclusão de que o processo de mudança acontece, basicamente, em duas etapas: a primeira ocorre com forte apelo popular, com o povo indo às ruas motivado por diversos problemas estruturais, sendo a liderança algo completamente espontâneo (ex.: se não houvesse Frei Caneca, haveria outro líder, já que a situação do povo era precária); a segunda, por sua vez, caracteriza-se por uma disseminação de pequenos movimentos, em várias áreas, com diversos líderes, sendo estes os principais atores da mudança. A liderança não é mais espontânea, ou seja, é o líder que cria a situação de sua liderança, não mais o povo; o foco sai do povo e vai para o líder.

Acredito que todos nós já temos conhecimento da professora Amanda Gurgel, que ficou famosa após divulgação de um vídeo no qual ela aparece cobrando dos políticos do Rio Grande do Norte uma postura mais firme na educação daquele estado.

Professora Amanda Gurgel: "A educação nunca foi prioridade nos governos"

Pois bem, muitos dirão que tudo o que ela falou é lugar-comum, clichê e talvez inútil. Até concordo com isso, mas tem uma coisa nela que nunca tinha visto noutros discursos sobre educação: paixão. Ela me parece apaixonada pela educação, e isso certamente fará a diferença. Eu acredito que ela tenha criado a situação para sua liderança.

Carecemos de líderes na educação, de gente que ranja os dentes ao falar desse assunto, de gente que sinta o desafio do ensino, de gente que acredite que é capaz de mudar tudo isso.

Pensando nisso, diria uma coisa a ela: aproveite essa posição para tentar chegar ao poder com essa mesma motivação; tome a iniciativa de mudar a educação.

Acho que ela poderá fazer sua contribuição enquanto professora, mas com isso, ela mudará a vida de no máximo alguns estudantes. Se for ao poder, mudará a vida de milhões. Ela tem esse poder. Todos nós temos.

Quem me segue no twitter, já me viu falar “o Estado somos nós”, ou seja, somos nós que fazemos as coisas acontecerem, e não o Estado. Mas isso não significa que o Estado não seja importante. Na verdade, ele só precisa de gente que faça as coisas acontecerem. Amanda Gurgel me parece uma pessoa desse tipo.

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Por que as aulas são tão ruins?

Olá. Como vão suas aulas? As minhas vão péssimas. Nessas últimas semanas, eu poderia ser considerado um péssimo exemplo de aluno: nas aulas, só faço dormir, ou ler outras coisas, ou apreciar a paisagem da janela. Está impossível tornar produtivo o tempo da aula.

Eu percebo que os professores estão percebendo isso; sinto que eles mesmos não gostam da própria aula. Mas parece que o instinto científico deles falha na parte principal: “O que eu posso fazer para melhorar a aula?”. Confesso que não conheço uma resposta universal para essa pergunta, mas sei algumas coisas que eles estão fazendo errado.

Sinto que, de alguma forma, os professores sentem-se intimidados pela turma; têm medo de arriscar porque isso pode causar-lhes alguma situação embaraçosa. Mas e daí que eles possam passar vergonha? Qual o problema? O professor não perderá a respeitabilidade: continuará com seu mestrado, doutorado, título de Ph.D etc. Acho até que seria mais respeitado pelos alunos e criaria um canal de comunicação mais informal e agradável.

Essa aula seria melhor do que muitas.

Outro grande problema é a falta de questionamentos na aula. O professor geralmente não excita nossa inteligência. Só faz vomitar conhecimento e escrever no quadro. Pior: escreve exatamente o que tem no livro. Pra mim, isso é um convite: “Durmam, queridos alunos”. Eu só acordo nas aulas quando sinto que o professor desafiou a turma, quando sinto que fui desafiado. A inteligência não surge do acúmulo de informações, mas ela se alimenta dela mesma; quanto mais se pensa, mais se pensa.

A gente percebe que tem alguma coisa errada quando a razão mais forte pela qual vamos às aulas é para marcar presença; pra muita gente, o professor é só alguém que faz chamada. E pronto. Esse é o papel do professor. Esse é o papel do professor?

E pra vocês, por que as aulas são tão ruins?

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Minhas primeiras aulas como professor

Olá. Não falei por aqui, mas faço parte de um programa que organiza cursinho pré-vestibular para alunos de escola pública, chamado Vestibular Cidadão. Sou professor voluntário de física elétrica, e minhas aulas começaram semana passada. Vou contar um pouco sobre as impressões que tive nessas aulas.

Planejei essas aulas durante uma semana, inclusive treinei bastante em frente ao espelho para ganhar confiança; estava muito animado pra colocar em prática tudo o que eu falo por aqui. Quando cheguei na sala, até eu fiquei surpreso com minha naturalidade e desenvoltura! Vi que foi muito útil todo o preparo; eu sabia exatamente o que falar, sabia quando devia fazer os alunos rirem e quando devia reforçar o assunto.

Um grande problema que senti, porém, foi o tempo das aulas. Percebi que em 50 minutos de aula é impossível o professor impactar a vida dos estudantes; sequer é possível dar um conteúdo que exija certa análise. Isso me custou parte do que havia planejado para a aula da turma de humanas; não consegui terminar o exemplo que havia proposto. Em parte, isso se deu ao fato de eu ter tido de explicar a matemática básica que o exemplo exigia, coisa que eu não havia planejado. Essa questão do tempo das aulas rendeu uma ótima discussão via twitter com diversos amigos; falarei sobre isso noutro post.

Outra coisa que descobri foi que, definitivamente, as aulas têm que ter um diferencial. Não importa o currículo do professor, não importa o quanto ele sabe: se não trouxer algo diferente, inusitado, a turma se desinteressa. O diferencial que eu trouxe foi descontrair a turma de diversas formas: contando histórias minhas engraçadas, fazendo exemplos engraçados, trazendo curiosidades sobre o assunto, entre muitas outras coisas que surgiram no improviso.

Mas, caros leitores, a maior lição que tive nessas primeiras aulas foi: os alunos percebem e adoram quando o professor gosta de dar aula. Descobri que o professor tem que se divertir quando dá aula. Nunca me diverti tanto comigo mesmo quanto na frente daquelas mais de 60 pessoas. E foi extremamente gratificante sentir a ressonância da turma. Não tem outra: o professor tem que gostar do que faz.

Minhas aulas serão sempre um show meu com a turma.

E aí, alguém já teve oportunidade de ensinar? Quais os problemas que encontrou?

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Não é só o estudante que precisa de motivação

Olá. Inspirado pelos comentários sobre meu texto no site de @paulorrj (umpapolivre.com) e também baseado nas aulas que tive essa semana, me perguntei: será que só os estudantes precisam ser motivados a assistirem às aulas? Como fazer isso se muitas vezes nem os professores estão motivados?

A questão da motivação, em qualquer aspecto, é muito difícil de se lidar. Tem gente que se emociona mais com o visual, outras com o auditivo, outras com a sinestesia. Por isso quase todas as propagandas abusam nesses três campos, para atingir a preferência de todos os espectadores.  Caso semelhante acontece se quisermos motivar os professores. Temos que utilizar todos os três campos também, mas a grande diferença é a mensagem que se passa: esta tem muito mais valor.

Tive algumas ideias de como essa mini-teoria pode  ser direcionada aos professores. Ei-las:

  • Ambientação: o ambiente físico da escola tem que ser agradável. As salas têm que ser bem iluminadas (se possível, com janelas abertas); plantas também ajudam nessa ambientação. Outra coisa que tem que mudar é o pátio. Por que tem que ter tanto concreto? Podia ter só uns caminhos de concreto e o resto seria grama rasteira, com árvores. Esse ambiente traria bem-estar a todos, inclusive aos professores.

Que pátio sem graça.

  • Diálogo franco: A direção da escola tem que ter um canal de diálogo franco e aberto com os professores. Não vejo isso nas escolas. No máximo, faz-se uma avaliação dos professores (o que é MUITO bom e tem que ser encorajado). Esse diálogo de que falo tem que ter um teor sério, e deve ser feito uma vez por ano ou por semestre. Nele, o palestrante deve mostrar como a educação está mudando e como o papel do professor muda com isso. Deve instigar o questionamento interno dos professores: “Se eu fosse aluno, eu gostaria das minhas aulas?”. Também deve dar ideias e sugestões para melhorar as aulas.
  • Integração dos professores à diretoria: Os professores têm que ter voz nas decisões da diretoria. Nada pode ser feito sem a aquiescência dos professores. Essa atitude seria um grande passo na direção da valorização do professor; ele se sentiria parte da instituição, suas decisões influiriam na política da escola/universidade.

Logicamente, a questão financeira é importante, mas quis abordar neste post somente fatores que podem ser trabalhados em âmbito interno. Noutro post deverei falar mais sobre políticas macro para lidar com motivação dos professores.

O que acham? Como podemos motivar os professores?

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O que um professor NÃO deve fazer

Olá. As aulas na UFPE voltaram nessa semana; elas são a razão de toda a minha indignação com a educação (essa aliteração ficou péssima). Essa volta às aulas, porém, foi diferente das demais. Voltei com uma visão diferente dos professores; fiquei muito mais observador e crítico.

Mesmo as aulas boas têm momentos de desânimo e sono. Senti isso nessa primeira semana. Por isso, estive observando as exatas atitudes do professor que deixam a aula chata e desmotivante. Listá-las-ei:

Ok, professor, pode sentar-se assim durante um tempinho.

  1. Dar aula sentado: Se você é professor, evite de todas as formas sentar-se na cadeira do professor. Quando o professor está sentado, é impossível observar toda a sala; alguns alunos não conseguem vê-lo também; isso é um convite para a indisciplina. Além disso, sentado, sua voz não é tão potente quanto em pé; perde-se a respeitabilidade. No máximo, pode sentar-se um pouco na sua mesa; isso dá um ar intimista e nos prende a atenção.
  2. Ficar parado: Professores que não se movimentam no palco não prendem a atençãodo estudante. Parados, são um ótimo sonífero. Mais chato ainda é quando o professor dá aula apoiando-se na parede, ou no quadro. Isso dá um desânimo danado. O professor tem que saber usar o espaço da lousa, não só se movimentando, mas gesticulando quando possível.
  3. Não descontrair: Fato. Toda aula tem que ter distração. Uma coisa que eu perceboque atiça a curiosidade dos alunos é quando o professor conta alguma história pessoal que tenha a ver com o assunto. Todo professor com certeza tem muitas histórias interessantes pra contar; fale sobre o mestrado, doutorado, algum aluno diferenciado que você já teve etc. Isso tudo tira os estudantes do stand by.
  4. Não variar o tom de voz: A maioria dos professores acha que a gente presta atenção em 100% da aula. É impossível. Ele tem que frisar as coisas mais importantes aumentando o tom de voz. Além disso, variar o tom corretamente dá mais emoção à aula; isso tudo contribui para prender a atenção do estudante.

Tudo isso está englobado no que venho falando no blog: o professor tem que atrair o estudante, tem que convencê-lo a assistir a suas aulas.

O que vocês acham? O que os professores NÃO devem fazer?

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Qual a função do novo professor?

Olá.

Quando cursava o 3º ano do ensino médio, tinha um professor de química orgânica que era tido como o terror, o senhor absoluto da razão, o intimidador (quem estudou comigo certamente não o achava muito simpático). Certa vez, numa aula, lá estava ele falando sobre como aplicar o conhecimento da química orgânica no dia-a-dia: “Sabe o teste do bafômetro? Vocês podem utilizar esse composto pra reagir com o álcool e enganar o guarda”, e a sala toda começou a rir. Eu nunca fui disso, sempre fui um pouco – bastante – chato com essas coisas. Então, levantei a voz: “Professor, você tem noção do que está falando?”. E a sala toda calou-se; de repente fui o centro das atenções. O professor me olhou mais intimidador do que nunca, mas percebi certo medo nos seus olhos. Ele nunca havia sofrido uma represália antes.

“Talvez o senhor não saiba, mas os alunos vêem o professor, de uma forma ou de outra, como exemplo pra vida, ainda mais nesse mundo onde a família não tem mais tanta influência na nossa vida quanto antes”. Senti um alívio por ter finalmente falado isso na frente dele, na frente de toda a sala.

O professor desconversou: falou que tinha vivido na ditadura, na repressão etc etc, não falou nada com nada. No fim, depois de a turma ter tirado onda falando que ‘eu tinha posto o professor de castigo’, ele, o professor, chegou pra mim, e falou: “Você tem meu respeito”.

Até a metade do século passado, os valores sociais não permitiam – ou o capitalismo ainda não exigia – mulheres que saíssem de casa para trabalhar. Inevitavelmente, com isso, a família era algo muito sólido; a figura materna, e também a paterna, era muito forte.

Entretanto, com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, a família começou a se desestruturar, obscurecendo as figuras paternas. Os filhos e os pais começaram a passar cada vez menos tempo em casa; assim, o arcabouço de influências dos filhos não é mais prioritário dos pais; eles procuram essas influências noutros lugares.

É inerente ao ser humano procurar referências em tudo na sua vida; antigamente, muitas vezes essa referência eram os pais; mas hoje, não. Estamos num vazio da ética, do companheirismo, da significância, do autoconhecimento. Quem tem que preencher esse vazio de influências é o professor, seja de colégio, de judô, esgrima, lacrosse ou de japonês, porque é o professor que passa mais tempo com as crianças/jovens; é nele que o estudante presta atenção; o professor tem que ser pai. É uma responsabilidade enorme, mas são poucos os professores que sabem dela.

O Brasil evolui economicamente mas o seu povo não evolui. A evolução de um povo se dá com a evolução de seus valores, de suas preocupações. Infelizmente, estamos longe disso ainda.

O professor é a solução. Mas ele tem que saber o poder que tem para mudar a sociedade.

Para vocês, qual deve ser a função do professor?

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