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O problema invisível das universidades

Olá.

Recentemente, eu e alguns amigos (@hrxm e @borbaline) reabrimos o Diretório Acadêmico (DA) de engenharia eletrônica da UFPE com o intuito de melhorar exponencialmente todos os aspectos do nosso curso. Para isso, começamos a procurar entender os problemas que assombram o departamento.

Então, na quinta (28/4), conversamos com o chefe do departamento, Hélio Magalhães. Foi necessário somente falarmos: “Queremos melhorar o curso”, que ele começou a discorrer sobre o maior problema, em sua opinião: a burocracia.

Foi algo incrível. Ele falou que para comprar UMA fechadura nova, tem que abrir licitação nacional e contactar no mínimo 3 empresas de todo o Brasil. Mas ninguém vende uma só fechadura!; ‘É mais fácil comprar 300 mil fechaduras do que uma só’, disse ele.

A burocracia se expande para suprir as necessidades da burocracia.

Uma coisa que se faz normalmente em todos os departamentos é a rotatividade dos equipamentos/instrumentos. Quando um setor não está utilizando, outro setor pega emprestado. Mas o que acontece muito frequentemente é vários setores do departamentos precisarem de tal equipamento ao mesmo tempo. E o que acontece? Briga interna.

Esse problema é seríssimo. Mas alguém pode questionar: “Essa burocracia é para evitar corrupção, gastos indevidos com o dinheiro público”. Ok, até certo ponto isso é tolerável. Mas o professor Hélio sugeriu uma ideia interessante: poderia ser destinado a todos os departamentos um dinheirinho, tipo uns 5 mil reais por ano, que poderiam ser gastos sem licitação para coisas corriqueiras, tipo uma fechadura. Esse dinheiro fica sujeito a corrupção? Sim, mas o dano aos cofres públicos seria mínimo.

Penso que a causa de toda essa burocracia é a desconfiança do povo nas autoridades públicas. Lógico, elas fazem por merecer todo esse descrédito, mas até que ponto essa desconfiança começa a prejudicar o próprio povo? Como combater isso?

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Ensino superior gratuito ou privado?

Olá. Semana passada, fui a uma palestra de @soficacmonteiro, de apenas 16 anos, que discorreu sobre diversos gargalos da educação brasileira, comparando-a a sistemas educacionais de outros países. Um fato que me chamou atenção foi a preferência dela por um ensino superior privado, em vez do consolidado ensino superior público do Brasil.

Ela destacou que os gastos para custear um ensino superior de qualidade são muito maiores do que se poderia gastar com a gestão do ensino fundamental/médio de igual qualidade. Foi um comentário muito interessante para mim; nunca tinha pensado nisso antes. Logo que ela falou isso, lembrei-me de um equipamento com o qual trabalho na minha iniciação científica, chamado sputtering, que custou somente 200 mil dólares. Isso tudo saiu do bolso do Estado. É lógico que é mais um investimento do que um gasto, mas é muito dinheiro. Além disso, manter umas 40 universidades federais em todos os estados do Brasil exige uma burocracia enorme, o que atrasa muitas obras e melhorias.

Olha aí a maquininha de 200 mil dólares.

Outro problema com o financiamento público das universidades é a falta de controle tanto de assiduidade quanto de produtividade dos professores/pesquisadores. Vejo recorrentemente professores de diversas áreas da UFPE que se sentem confortáveis com o cargo e com o salário, entravando o progresso científico, dedicando-se somente às aulas (e ainda assim essas aulas são, geralmente, péssimas).

Para terminar, Sofia deu uma boa dica para quem se sente desconfortável com o fato de pagar por uma universidade: sendo o ensino fundamental/médio público de qualidade, as famílias estarão livres dos gastos com escolas particulares e cursinhos, podendo poupar para o ensino superior.

Não tenho uma opinião formada ainda. Acredito que o Estado não deve ser banido da gestão das universidades, mas talvez ele deva gerir somente as mais estratégicas e consolidadas, deixando as outras com gestão privada séria, e não a que estamos acostumados a ver por aí.

O que vocês acham? Será que o Estado consegue dividir o foco do investimento no ensino fundamental e superior? Ou será que se ele privatizar um, melhorará o outro?

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Por que tanta gente desiste da universidade?

Olá. Este post é resultado da sugestão de @Bia_Souz.

Na UFPE, todas as engenharias convivem juntas no primeiro ano do curso, que é o período em que aprendemos disciplinas básicas, comuns a todas as engenharias. Durante esse ano e o ano seguinte, percebi que muita gente – muita mesmo – começou a desistir da universidade ou se desmotivou a tal ponto que reprovação era algo comum e esperado. Esse comportamento é ainda mais visível no ciclo profissional, especialmente em meu curso (eng. eletrônica).

Você acha que se conhece? (crédito: http://migre.me/3RGl8)

Por que isso acontece? Pensei em algumas coisas:

  • Os vestibulandos são obrigados a escolher sua carreira muito cedo, com pouca informação. São poucos os colégios que dão oportunidade para conhecer bem as profissões do mercado. Pior ainda é a situação dos estudantes! Imagine, com 16 ou 17 anos tomar uma decisão que vai ser o norte de toda a sua vida. Nessa idade eu não sabia nem escolher roupa direito (ok, eu ainda não sei, mas costumo dizer que tenho ‘estilo próprio’). São poucos  os alunos que têm autoconhecimento e maturidade suficientes para descobrir o que quer trilhar para o resto de sua vida. Uma solução para isso: ao entrar na universidade, haveria um semestre ou um ano durante o qual o estudante poderia escolher entre as disciplinas básicas de todas as áreas do conhecimento (humanas, exatas e saúde). Assim ele teria uma ótima noção do que ele gostaria de fazer.
  • O ensino pré-universidade é voltado somente ao vestibular. A base dos estudantes geralmente é muito fraca. Pude perceber isso de forma muito clara especialmente no 1º período do curso. Com tanta coisa – inútil – pra estudar para entrar na universidade (vide este post), a forma que os alunos têm para passar no vestibular é decorando tudo, utilizando truques mnemônicos para lembrar de tudo na hora da prova, sendo que a base mesmo não existe. Lembro-me bem do meu vestibular. Pude contar nos dedos a quantidade de questões que me fizeram pensar além das fórmulas ou das palavras decoradas. Solução: mudar o vestibular, como relatei naquele post. Os alunos têm que chegar à universidade com experiência no pensar, no questionar, no refletir, porque é isso que eles vão ter que fazer no futuro.
  • Claro, novamente, as aulas. Especialmente nos primeiros períodos, as aulas têm que ser diferenciadas. Meu pai há algum tempo encontrou seu orientador de mestrado, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia de Lula, Sérgio Rezende, que também dá aula na UFPE. Meu pai, despretensiosamente, perguntou-lhe: “E aí Sérgio, tá ensinando que disciplina?”, a que Sérgio respondeu: “Física 1”. Meu pai, atônito: “Física 1? Não podia dar uma cadeira mais importante não?”. Sérgio: “Eu acho que as disciplinas mais importantes são as do primeiro período; é um perigo deixar professores inexperientes ministrá-las“. Pois é, tem que ser assim mesmo. Eu via no meu primeiro e segundo períodos professores que sequer preparavam aula; faziam tudo na hora, sem nenhum preparo.

Enfim, esses foram os problemas e soluções que achei para pelo menos melhorar um pouco nossa universidade. O que vocês acham? Com certeza há muito mais problemas que explorarei noutros posts. Quais os problemas e possíveis soluções para diminuir a evasão na universidade?

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