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Minhas primeiras aulas como professor

Olá. Não falei por aqui, mas faço parte de um programa que organiza cursinho pré-vestibular para alunos de escola pública, chamado Vestibular Cidadão. Sou professor voluntário de física elétrica, e minhas aulas começaram semana passada. Vou contar um pouco sobre as impressões que tive nessas aulas.

Planejei essas aulas durante uma semana, inclusive treinei bastante em frente ao espelho para ganhar confiança; estava muito animado pra colocar em prática tudo o que eu falo por aqui. Quando cheguei na sala, até eu fiquei surpreso com minha naturalidade e desenvoltura! Vi que foi muito útil todo o preparo; eu sabia exatamente o que falar, sabia quando devia fazer os alunos rirem e quando devia reforçar o assunto.

Um grande problema que senti, porém, foi o tempo das aulas. Percebi que em 50 minutos de aula é impossível o professor impactar a vida dos estudantes; sequer é possível dar um conteúdo que exija certa análise. Isso me custou parte do que havia planejado para a aula da turma de humanas; não consegui terminar o exemplo que havia proposto. Em parte, isso se deu ao fato de eu ter tido de explicar a matemática básica que o exemplo exigia, coisa que eu não havia planejado. Essa questão do tempo das aulas rendeu uma ótima discussão via twitter com diversos amigos; falarei sobre isso noutro post.

Outra coisa que descobri foi que, definitivamente, as aulas têm que ter um diferencial. Não importa o currículo do professor, não importa o quanto ele sabe: se não trouxer algo diferente, inusitado, a turma se desinteressa. O diferencial que eu trouxe foi descontrair a turma de diversas formas: contando histórias minhas engraçadas, fazendo exemplos engraçados, trazendo curiosidades sobre o assunto, entre muitas outras coisas que surgiram no improviso.

Mas, caros leitores, a maior lição que tive nessas primeiras aulas foi: os alunos percebem e adoram quando o professor gosta de dar aula. Descobri que o professor tem que se divertir quando dá aula. Nunca me diverti tanto comigo mesmo quanto na frente daquelas mais de 60 pessoas. E foi extremamente gratificante sentir a ressonância da turma. Não tem outra: o professor tem que gostar do que faz.

Minhas aulas serão sempre um show meu com a turma.

E aí, alguém já teve oportunidade de ensinar? Quais os problemas que encontrou?

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Como motivar os estudantes?

Olá. Para o post de hoje, recebi sugestões de meus amigos @filiperocha91 e Henrique Reis. Ainda deverei desenvolver essas e outras sugestões que recebi em posts seguintes.

No quarto período do meu curso (estou indo ao quinto agora), tive aula de circuitos elétricos com o coordenador do curso. Suas aulas eram chatíssimas, ótimo sonífero. Mas um dia, ele começou a falar sobre aplicações práticas do que a gente estava aprendendo. Estávamos todos bem entretidos com a aula porque aqueles seriam os cálculos reais que faríamos quando estivéssemos trabalhando. Mas aí, no melhor da conversa, o professor dispara: “Já conversamos muita besteira hoje, vamos voltar pra aula”. E eu voltei a dormir.

Ok, esse quase me enganou. (crédito: http://migre.me/3Oyam)

Como falei em algum post anterior, a escola/universidade e as aulas têm que ter um atrativo a mais para convencer o estudante a frequentar esse ambiente. Que atrativos seriam esses?

Música. As escolas poderiam fazer acordos com as escolas de música do município. Poderiam lhe ser cedidas algumas salas da própria escola para incentivar os alunos a praticarem música num horário conveniente (depois da aula, por exemplo). Isso incentivaria a permanência dos alunos na escola; talvez seria interessante um abatimento na mensalidade da escola de música para alunos que tirassem boas notas.

Eventos de convivência. Escolas e universidades não são mais ambientes somente de aprendizado; são lugares de convivência, amizades. Pensando nisso, meu amigo Henrique Reis sugeriu que as escolas/universidades organizassem uma semana de jogos olímpicos internos, que certamente reteriam os estudantes, além de propiciar o bem-estar coletivo. Com esse mesmo objetivo, Henrique também sugeriu que as escolas tenham um espaço para hortas, tendo cada aluno sua própria mudinha. Se eu tivesse uma mudinha no meu colégio, eu gostaria de ir pra lá todos os dias pra cuidar dela direitinho 🙂

Aulas. Claro, precisamos de aulas interessantes. Para isso, o professor tem que perder a timidez e o medo do ridículo. Tem que ser engraçado, contar piada quando perceber que a sala tá dispersa, fazer alguma coisa diferente. Por exemplo, caso haja datashow disponível, o professor poderia passar algum desses vídeos hilários que a gente vê no youtube, só pra rir à toa mesmo, pra mostrar que o professor é um cara normal (eu mostraria o vídeo de homenagem a Paul McCartney!). Caso não haja datashow, pode investir pesado em curiosidades sobre o assunto da aula, ou pode falar de histórias engraçadas de sua vida. Tudo isso vai deixar a aula mais animada, e os alunos, mais motivados.

Surpresas. Imagine que surpresa: você chega um dia ao seu colégio, tá lá vendo a aula, e, de repente, a diretora chega convocando todos os alunos para o pátio para um evento surpresa, ex.: relembrar a infância! Haveria algodão doce, pula-pula e mais outras coisas que usávamos quando crianças. A mesma coisa pode ser feita na universidade: ex.: no pátio de algum departamento, haveria uma apresentação de algum conjunto artístico. Às vezes acontece um desses eventos no CAC (Centro de Artes e comunicação) da UFPE. Esse é um dos motivos de eu passar por lá sempre que posso, mesmo estudando no Centro de Tecnologia. Esse tipo de evento fica na cabeça do aluno, dá vontade de ir pra escola só pra ver se tem algum evento-surpresa.

Tem muita coisa ainda pra melhorar o ensino, mas acredito que havendo vontade e disposição para essas mudanças básicas, muita coisa mudaria. O que vocês sugerem?, o que motivaria vocês a irem à aula?

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